2014 foi bom? Pelo menos na música, 2013 foi melhor.

Começou 2015, é tempo de fazer uma retrospectiva de 2014.

Na parte musical, em relação ao ano passado, ficou devendo.

Os lançamentos de U2 e Skank, muito esperados depois de tanto tempo sem lançamentos, decepcionaram.

Assim, entre os álbuns que mais se destacaram, e cabe, fazendo uma adaptação, incluir o EP da Fresno, Eu Sou a Maré Viva. Não é de hoje que a Fresno vem demonstrando sinais de que evoluiu de forma a deixar longe a pouca variação temática e musical da onda que a gerou.

Fresno - Eu sou a Mare VivaFresno – Eu sou a Mare Viva

Não é mais possível negar o crescimento musical de Lucas Silveira e sua banda. Para corroborar isso, um dos principais nomes da geração que mais vendeu discos e mobilizou pessoas nos anos 80, o RPM, acaba de convidar Lucas para produzir seu próximo álbum, deus ex-macchina. Paulo Ricardo elogia a evolução musical do líder da Fresno, seu principal compositor, guitarrista e vocalista. “Ele é jovem, talentoso e tem o discernimento necessário pra ser produtor”, declarou à jornalista Mônica Bergamo na Folha de SP.

Os detratores do emo, ao ouvir Eu Sou a Maré Viva, podem ainda torcer o nariz ao identificar os vocais de Lucas, ligando-o aos temas chifrudo-chorosos do começo da carreira, mas as letras estão mais densas, reflexivas, fortes e a concepção musical, como a exibida na pungente Manifesto, que traz Lenine e Emicida em participações especiais, nos faz pensar que, finalmente, de todas aquelas bandas nascidas da emomusic, ao menos uma cresceu a ponto de se sobressair e dar algum motivo para toda a movimentação surgida entre os adolescentes do começo dos 2000.

Eles podem, orgulhosamente, chegar à idade adulta sem renegar a Fresno. São apenas 5 músicas, mas o modelo de álbuns se esvaiu, frente à web, em que singles mensais fazem o trabalho de lançamentos anuais com 12 músicas que era o hábito na indústria. Lançar quando se tem algo a dizer, por quê não? A Fresno fez um trabalho de peso e merece ter seu trabalho reconsiderado por quem a rejeitava, como eu, por exemplo.