A dança dos políticos na Bahia

A política baiana foi bombardeada nas últimas semanas por informações reportadas duma maré de troca-troca partidária, a envolver um variado estoque político da boa terra. Pois é, a oposição, hoje guiada pela liderança laboratorial de ACM Neto ? que vem se manifestando, com cartas importantes saindo de sua manga ? tenta mostrar que na política da Bahia, além de ainda existir um lado discordante, ele é forte.

PR, PMDB, PDT e PP obtiveram o maior número de perdas, tanto no contexto federal, através do fluxo emigratório de alguns deputados ? destacam-se Mauricio Trindade (PR/ PROS), Arthur Maia (PMDB/SDD), Marcos Medrado (PDT/SDD) e Luiz Argolo (PP/SDD) ? como no estadual, através, exemplarmente, das desfiliações dos legisladores estaduais Elmar Nascimento e Sandro Régis (PR/DEM), ambos clássicos oposicionistas e dessemelhantes da aliança do PR, liderado por Cesar Borges, com o PT, alinhavada para o ex-governador assumir o Ministério dos Transportes, e do jovem deputado Bruno Reis, que segundo burburinhos, já fechou um acordo para compor a chapa em que Neto, seu escudeiro, possivelmente tentará a reeleição. Como vice-prefeito eleito, Bruno Reis assumiria a prefeitura durante mais de dois anos, consoante uma provável candidatura do carlista prodígio ao Palácio de Ondina em 2018. O jovem deputado, detentor de grande confiança do atual prefeito soteropolitano, saiu do coadjuvante PRP, para o PMDB, que, desesperadamente, luta para viabilizar, dentro da oposição, o nome do complexo Geddel, para disputar o pleito de governador do estado.

Depois desse imbróglio, caracterizado basicamente pela manutenção do que já existia, de modo que nenhum componente governista bandeou-se para o time oposto, ou vice-versa, enfim encerrou-se mais uma etapa, com a chegada da data limite para novas filiações. A briga agora é por alianças partidárias e pessoais.

Situação, oposição e um novo quadro, a denominar-se, por pouco tempo, de indeciso, representado pelo PSB da senadora Lídice da Mata, que depois do apoio recebido pelo seu líder partidário, governador de Pernambuco e pré-candidato ao planalto Eduardo Campos, e concebido pela ex-presidenciável Marina Silva, ainda desalentada pela derrota de seu, então, ex-futuro partido (Rede Sustentabilidade) no TSE, recebe fortes pressões de cima para fazer palanque aqui na Bahia, lançando-se candidata a sucessão do encrencado governador, Jaques Wagner.

Com tanto barulho ecoando intensamente, uma pulga teima a não sair de trás das orelhas dos principais articuladores dessa eleição. O problema na Bahia é NOME, tanto dum lado, como do outro, porém, para ilustrar a contradição, eles, os pré-candidatos, não faltam, são, curiosamente, muitos.

Da oposição vêm quatro: Paulo Souto e José Ronaldo (DEM), Geddel (PMDB) e João Gualberto (PSDB). Já do lado oposto, mesmo com a quase definição de racha da provável ex-aliada Lídice da Mata, que se for candidata não será com o apoio do PT, Wagner luta contra a insônia, tentando mediar uma briga interna infernal e não mais limitada ao silencio, protagonizada por quatro petistas ? inegavelmente, cá entre nós, também se posicionam longe do eleitorado baiano. Com exceção dos, ao menos conhecidos, senador Walter Pinheiro e vice-governador Otto Alencar, que por obra de Wagner aliada a sua falta de coragem dificilmente se candidatará, qualquer um dos pré-candidatos governistas oficiais (Gabrielli, Rui Costa e Luiz Caetano), quando escolhido de fato, terá de pongar, literalmente, nos ombros do governador.

O que se pode concluir, é que neste mercado eleitoral, há grande oferta ilusória de popularidade, entretanto, a verdade seca reflete, faltando pouco mais de um semestre para as convenções, justamente a falta dela. Há de convir, abstraindo as raríssimas exceções: não há em nosso estado, nestas próximas eleições, em gabinete ou palanque algum, ao menos um postulante ao governo, que não se faça abduzido, caso alcance a predileção, por uma candidatura do estilo ?goela abaixo?.