A nova novela baiana, o relacionamento Wagner X Neto

Entre as diversas quentinhas que ouvimos pela cidade de Salvador hoje, destaca-se o relacionamento-novela entre os chefes do estado e da capital da Bahia. É impressionante a força que todos fazem para promover a discórdia entre ambos. A, por hora, boa relação pavimentada pelos dois principais lideres da boa terra, em momentos atuais, transborda incômodo do centro à periferia.

Wagner e Neto não ocupam seus cargos atuais por acaso, em tempos atuais, para alcançar sucesso na política partidária, é substancial o manuseio das chamadas articulações sem preconceitos, regadas a doses concentradas de hipocrisia. Essas, no levante das caronas do tempo, teimam em trafegar nos declives, rebaixando vertiginosamente o conteúdo dos extintos ideais. Disso, nossos representantes supracitados conhecem, foram desenhados, um pelos meios aliciadores da vida, outro pela própria retórica familiar. Por vezes, até nós que achamos ser politizados, somos iscas perfeitas para os discursos proporcionais, perfeitos, impiedosamente capitalizadores.

Fazendo ênfase nesta realidade, temos que decifrar os enigmas desse labirinto ? o desenho atual é obscuro ?, sete pré-candidatos possivelmente governistas, quatro petistas corresponsáveis pela guarda da hegemonia petista (Pinheiro, Gabrielli, Caetano e o favorito de muitos, Rui Costa) e três componentes da base aliada (Lídice, o velho Otto e o articulador do momento, Marcelo Nilo). Penso que se trata, em suma, de pouca compatibilidade ao que precisamos, entretanto, é o que temos. Do outro lado, mesmo sem distanciar tanto, a oposição faz trato de seus atiradores, sob a sucumbência de uma possível unidade, apesar de alguns construtores da discórdia, a espera do momento certo a dar o bote.

Adversários, antagônicos e paralelos, neste sentido e ordem, eles marcham ? situação e oposição ? passíveis de acordos e conversações que possam lhes transportar, nas próximas eleições, ao Palácio de Ondina.

Assim é regida a política no Brasil, e é daí e desse modelo que somos obrigados a fazer algo em prol do que acreditamos. A obrigação de lapidar. A ideia não é lamentar, e sim apegar-se nas ilustrações e/ou citações ainda existentes, que mesmo sem destaques nas manchetes dos jornais de nossa ?grande? mídia, continuam sobreviventes. Ainda há muitas coisas boas de consumir.

Por fim confesso, a união inabalável é o mesmo que mergulhar em mares utópicos, todavia não nos custa colaborar com os consensos político-administrativos ? mesmo que sejam factíveis ? entre o estado e a prefeitura. O interessante é que as ações apareçam e nossas vidas melhorem. Principalmente por tratarmos de Salvador, um lugar que temos tanto, em se tratando de natureza, história e cultura, e tão pouco, pelo resto.