A Última Grande Lição

Culturalmente falando, tenho três grandes paixões em minha vida: filmes, músicas e livros. É difícil colocá-los em uma ordem de importância, porque isso varia muito de acordo com o momento que estou vivendo. A música, por exemplo, tem uma capacidade de absorver as pessoas, de maneira quase que inexplicável.

Segundo Andrew Diey, fundador do estúdio de design de som inglês Radium, a música tem uma capacidade enorme de despertar lembranças nas pessoas e, mais do que isso, de transportá-las de volta ao momento em que algo aconteceu. Para ele, nenhum outro sentido é tão eficiente neste sentido como a audição.

O mais interessante é que, quando casais se formam, o gosto musical é sempre um ponto de aproximação ? ou separação. Se os dois gostam do mesmo tipo de música, a impressão de que têm muito em comum é maior, o que facilita o diálogo. Se o gosto é diferente? bem, então é bom que eles tenham muitas outras coisas em comum e muita paciência um com o outro.

No caso da leitura é um pouco diferente. Você pode gostar de um tipo de livro, você pode até gostar de ler mais do que o seu parceiro, que não será um fator determinante. Afinal, a leitura se faz em silêncio. Tudo isso para relembrar de um livro muito bacana, e que sempre me traz boas lembranças: ?A Última Grande Lição?, de Mitch Albom (para quem se interessar, a editora é a Sextante).

Eu já conhecia a história porque, em 1999, o livro foi transformado em filme pela HBO, com Jack Lemmon no papel do velho professor Morrie. Aliás, o título original era ?Tuesdays With Morrie?, porque os encontros entre o velho professor e seu antigo aluno aconteciam sempre às terças-feiras. Lembro de ter assistido o filme e me apaixonado pela trama.

Um velho professor de sociologia contrai uma doença sem cura e, a partir daí, resolve ensinar os outros que a morte faz parte da vida e nunca é tarde para viver. E ele viveu, intesamente, até o último suspiro. Morrie virou personalidade nos EUA, entrevistado por um programa de televisão. Foi aí que Mitch Albom, seu velho aluno, descobriu que o mestre estava morrendo e decidiu visitá-lo. Foi daí que começaram um projeto de discutir o sentido da vida. Morte, casamento, amor, dinheiro, trabalho, perdão? Neste tópico, a mensagem é que precisamos aprender não só a perdoar os outros, mas a perdoar nós mesmos, que talvez seja tão difícil quanto.

Eu, por exemplo, tenho grande dificuldade em perdoar a mim mesma. Aliás, eu exijo demais de mim mesma, o que me torna insuportável a minha existência. Quem diria, hein. E a novidade é que eu não ou a única. Seria capaz de citar tantas pessoas que conheço que não são diferentes?

Morrie me fez lembrar que eu passo tanto tempo sobrevivendo, que me esqueço de viver. E é fácil culpar o sistema por isso, quando eu deveria admitir que sou preguiçosa demais para mudar uma realidade à qual já estou acostumada.

É por isso que de nada adianta fazer listas com resoluções de ano novo.

O que realmente importa é viver. E amar, diria Morrie.

Amanda de Almeida