?Agora tudo será resolvido...?

Não faço o tipo melancólico, fazendo tentativas absurdas de dramatizar acontecimentos, principalmente aqueles que nos fazem cair em indignação. Agora, da forma que os eventos, por piores que sejam, acontecem, os reflexos e contrapartidas teimam em ser idênticos, absurdamente.

Sondando as informações pertinentes e costumeiras, sem me prender a tema, o assunto na última semana foi o mesmo ? não poderia ser outro ?, a catástrofe ocorrida no sul; os números são inacreditáveis, assustadores, apontam das duas uma: o total desrespeito da boate aos seus clientes, através da negligência na manutenção do estabelecimento ou um despreparo incompreensível por parte dos funcionários seus. Independente do nível de gravidade desse evento miserável, infelizmente já aconteceu e as ?soluções? começam a aparecer, pra dar continuidade às nossas tradições. Aqui não existem estudos, pró-atividades, iniciativas prévias aos acontecimentos anunciados ? a verdade é que somos obrigados a bancar os altíssimos custos do estado para que seus representantes criem ou copiem um projeto remediador.

A partir de agora, são pautas as soluções que irão ser instauradas pelo Legislativo brasileiro, como disse um nobre deputado há pouco, sobre o evento trágico citado e explorado, ?agora tudo será resolvido? ? Assim fica fácil meu deputado, até eu?

Lembram, pra citar um factual exemplo, da tragédia causada pelas chuvas na região serrana do Rio, há dois anos? Pois é, nem metade do dinheiro canalizado para a contenção das encostas, que nada mais é que um obra tardia, foi utilizado. As gestões fluminenses, estadual e municipais, não obtiveram capacidade de realizar um projeto eficaz para pelo menos minimizar o risco dos habitantes daquela região. Percebam, as características dos dois incidentes citados (Santa Maria e Rio de Janeiro) são completamente distintas, porém se confundem quando a abordagem trata da responsabilidade do Estado, as medidas não acontecem previamente, como deveria ser, elas recebem vida ? quando ocorre ? após as mortes e o sofrimento das famílias.

Mais que um comentário, friso a passividade cultural nossa, do povo brasileiro. Enquanto países, até vizinhos, se manifestam de forma unida e maciça, nós reclamamos, reprovamos, mas somos incapazes de nos mobilizarmos, de forma ativa e altruísta, para mudarmos essa enraizada realidade. Estou convencido, só mudaremos na ?tora?, quem se faculta?