André Midani, do Vinil ao Download

Músicas, Ídolos e PoderMúsicas, Ídolos e Poder

Amantes da MPB, entrai em festa: em cartaz no GNT o documentário “Do Vinil ao Download”. A ideia é esperta: trazer as historinhas contadas por André Midani no seu ótimo livro Músicas, Ídolos e Poder (disponibilizado para download em capítulos pelo próprio autor em seu site aqui), envolvendo os astros surgidos nos anos 1960, em sua maioria, mas também os representantes da nova música brasileira dos oitenta, como Arnaldo Antunes e Marisa Monte. Melhor do que isso. Além de ouvir estas passagens impressionantes da história cultural pela boca de quem participou delas, ainda presenciar as canjas de gente como Jorge Benjor, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Dadi, Ney Matogrosso, Erasmo Carlos, Baby Consuelo, Nelson Motta, Roberto Menescal e vários outros.

O livro é mais abrangente, pois André Midani foi construindo sua carreira na música brasileira desde que chegou, em 1955. Viu o nascimento da Bossa Nova, participou ativamente da fase dos festivais e das dificuldades advindas da relação tempestuosa entre músicos e a ditadura militar, nos anos 1970. Com dificuldades financeiras quando geria a WEA no país, bancou a entrada de bandas como o Ultraje a Rigor e Titãs, além do Ira!, no cast da gravadora, e a aposta deu grande resultado.

Mas o documentário, dividido em cinco episódios de 60 minutos e sendo exibido às terças, onze da noite, permite, em um ambiente intimista, como se a câmera estivesse passeando por uma festa, encontrando as conversas dos convidados, que sejam revelados episódios marcantes e deliciosos da história da música brasileira, construída, na sua fase moderna, por nomes como André Midani, um sírio que morava na França e veio para o Brasil chegando ao lugar certo, na hora certa, para participar de um movimento cultural extremamente relevante.

Na casa de André foram realizadas jam-sessions espectaculares, reunindo figuras que, não fosse o anfitrião, provavelmente não se encontrariam para dividir vocais. A edição ainda privilegia o trabalho de pesquisa, entremeando os papos com a inserção de verdadeiros documentos históricos, como a ação da censura enquanto Chico Buarque e Gilberto Gil apresentavam Cálice no festival Phono-73. Simplesmente imperdíveis, tanto o livro, quanto o documentário. É uma verdadeira aula de música brasileira contemporânea em cinco horas de exibição.