Apresentando Pharrell

Apresentando Pharrell

Pode ter demorado um pouco, afinal de contas Pharrell Williams tem 41 anos e não é mais um principiante. Mas a idade avançada em um setor, como a música, que despeja adolescentes em quantidade a cada temporada despontando como a nova revelação não impediu que o rapper trouxesse um ar de renovação para um estilo que já se mostrava estagnado e repetitivo. Esperto, Pharrell ainda percebeu que a forma é imprescindível neste mercado muitas vezes desprovido de conteúdo, e desfila pelos palcos e clipes com seu indefectível chapéu tipo fedora, que lhe valeu memes na web comparando-o ao urso Smokey.

Na música, que é o que realmente interessa, Pharrell virou grife também: está ao lado de Daft Punk, Lenny Kravitz, Jay-Z e muitos outros que querem agregar a seus trabalhos o frescor de seu som, que ficou mais conhecido do grande público a partir de Happy, hit presente na trilha de Meu Malvado Favorito 2. Pulsante, cheia de suingue, cantada com o jogo de cintura que faria inveja a qualquer sambista de morro, chama a atenção justamente pela impossibilidade de imprimir nela rótulos que normalmente caberiam em um produto do mercadão fonográfico. Pop, soul, hip hop, rhythm and blues, dance? Tem tudo lá, sem se amarrar a nenhuma tendência específica.

Pharrell tem um número espantoso de participações em músicas encabeçadas por ouros artistas. São 46 singles e ainda 39 outras canções que trazem a etiqueta “feat. Pharrell”, ou featuring Pharrell, ou melhor, traduzindo para o português, “apresentando Pharrell”, como se precisasse. É “o cara” da música atual, solo ou ao lado de quem quer que seja. E tudo isso tendo apenas dois álbuns lançados, com um intervalo longo entre eles, pois o primeiro é de 2006, quando Will.I.Am era quem reinava, lembra?

Neste mundo volúvel e dinâmico da música contemporânea, Pharrell aprendeu rápido a lidar com a realidade do mercado, em que discos não fazem mais sentido e, mais importante do que isso, imprimiu à sua música um toque do global que permeia a atualidade. Não é mais possível detectar, em meio a tantas tendências, qual predomina no seu som. Só que é agradável, e basta.