As Crianças Precisam de: Amor, Orientação e... Limites!

Child demandingComo todos sabem, no Brasil no mês de outubro é comemorado o dia das crianças, e três dias depois, comemora-se o dia dos professores, onde a “criança” também tem seu papel de protagonista.

Infelizmente não basta a simbologia comercial deste dia 12 de outubro, e nem toda ordem prescrita no Estatuto da Criança e do Adolescente, para que a mesma tenha um desenvolvimento feliz com suas potencialidades preservadas. Acho que não é difícil concordar neste ponto, certo?

Pois bem, também não adianta responsabilizar os professores pela educação de nossas crianças, como acontece em muitos casos e em todos os segmentos da sociedade, independente das diferenças socioeconômicas. Simplesmente cobra-se da escola o limite que não é dado em casa. E isso já não é mais uma bomba de efeito retardado, pois hoje os alunos já agridem fisicamente seus mestres. E daí quando nos deparamos com notícias do que occore nas escolas no perguntamos: Em que planeta estamos???

Por esse motivo é necessário falarmos desta maravilhosa figurinha “CRIANÇA” sob outro ângulo, focando sua formação básica onde tudo deve (ou deveria) começar: aquele pequeno ser humano que “produzimos” em nossos lares.

É preciso que haja uma conscientização dos cuidadores. Vejo um número cada vez maior de pais permissivos, que amam por meio de compensações, levando os seus filhos a um desenvolvimento empobrecido, oferecendo-lhes poucos padrões de orientação e sem nenhuma avaliação e correção de comportamento.

Há uma dicotomia entre educar e cuidar, eu diria que cuidar até pode ser simples, envolve o básico alimento, vestimenta (se não for índio) e cuidados com a saúde. Mas, infelizmente o educar é mais complicado. Não se educa sem frustrações (e bota frustrações nisso!!!). O “não” é primordial e, sem ele a capacidade de elaboração mental e do ego da criança é corrompida. E depois disso meus amigos e amigas, usando uma expressão de nossos pequeninos, babau!!! Tem uma fatia negra da sociedade louquinha por capturar essas criaturinhas criadas com tanto amor e sem nenhum limite.

É inadmissível o número de pais que são submetidos às manipulações dos filhos. Há uma negociação absurda entre as partes, com tudo e para tudo. Na grande maioria são elas (crianças, desde muito cedo) que decidem tudo, quais os programas no final de semana, o que vão vestir etc., chegando ao ponto de decidir até o que vão comer, sendo este último um caso de polícia, pois é um crime deixar que uma criança decida por uma alimentação muitas vezes nociva e que possa ter como consequência a aquisição de doenças crônicas que as afetarão para o resto de sua vida (este tema abordarei com mais profundidade em um outro artigo).

Não é raro uma mãe, na sua forma super protetora, embarcar nessa onda (quase um Tsunami) de compensações, e atender seu filhote nos mais complexos desejos, ou melhor, em tudo que elas ditam. SIM!!! As crianças mandam e os pais obedecem. Simples Assim! E o pior é que tudo isso é em nome do AMOR. Ou seria comodismo, pois é mais fácil ceder do que educar?

Educar dá trabalho gente! Nossa, e como dá! É preciso dedicação, comprometimento, tolerância, empatia, atenção no real sentido da palavra, muito planejamento, administração e muito LIMITE dentre outras “cositas mas”.

E tem mais! Atender todas as exigências da molecada vai exigir uma corrida estressante atrás do “vil metal” não sobrando muito tempo nem para ser dedicado á eles, nem para as outras coisas importantes do dia-a-dia. Basta analisar: Alguém se arrisca a dizer de quanto em quanto tempo o mercado lança um novo smartphone, ou um novo personagem-grife com roupa, tênis, mochila, e acessórios que a criança “precisa” ter para fazer parte da “tribo”?

Bom, só pra finalizar: Por favor, papais e mamães! Não achem que seus filhos “cheios de atitudes”, que não respeitam regras e a tudo contestam, estão apenas formando uma “personalidade forte”, como é dito no censo comum. Esqueça isso! E Corrija enquanto há tempo, formando uma personalidade forte sim, mas com os limites que sempre são necessários. Senão o máximo que o seu “MERO AMOR” produzirá será um adulto fútil, incapaz de respeitar o outro e de ter uma convivência civilizada em uma sociedade de direitos e deveres. Por isso que às vezes os pais não entendem porque aquela criancinha que “sempre teve de tudo” não consegue viver em coletividade e os seus relacionamentos interpessoais são sempre fadados ao insucesso.
Seja amigo (a) dos seus filhos (as) SEMPRE! Mas, NUNCA EM HIPOTESE ALGUMA DEXE DE SER O PAI ou MÃE.

Andréa Carla Nunes Maia.
Psicóloga.