Ayrton Senna do Brasil

No dia 1° de maio, completa 20 anos do mais trágico Grande Prêmio de Fórmula 1 de todos os tempos, e que resultou na morte de um dos maiores ídolos do esporte mundial, Ayrton Senna, aos 34 anos. Como muitos brasileiros que aguardavam pelo quarto título de Senna, acreditando ser o então jovem e promissor piloto alemão Michael Schumacher o principal rival na temporada, vi pela televisão, ao vivo, a corrida acabar para Senna na sétima volta do GP de San Marino, na Itália.

Não me desliguei mais da telinha naquele dia, primeiro esperando notícias que pudessem contradizer o que parecia ter ocorrido, depois acompanhando toda a repercussão do acidente e tentando entender aquela batida a 210 km/h, no muro da curva Tamburello do autódromo de Ímola, após Senna ter saído da pista em linha reta com sua Williams, que não respondeu aos comandos do tricampeão.

Ayrton Senna era um piloto que aliava técnica sem igual e muita emoçãoAyrton Senna era um piloto que aliava técnica sem igual e muita emoção

De lá pra cá, foram vinte anos, e ainda ligamos aos domingos a televisão na esperança de reviver a emoção que Senna conseguia agregar a um esporte frio, feito de máquinas, e para os carros brilharem. O motor, o combustível, a aerodinâmica, os pneus, a parafernalha eletrônica, tudo parece ser mais importante que os pilotos, estes simples passageiros da tecnologia que precisam seguir  quase que cegamente as ordens dos mecânicos, antes e durante as corridas, inclusive as absurdas determinações para perder a posição para um companheiro de equipe.

Os carros de Senna eram diferentes, eles tinham braço, e mais do que isso, tinham coração. Levavam na carona de seu apertado cockpit a torcida de todo o Brasil, que com ele deixava nos boxes o complexo de vira-lata para superar, orgulhosa, os países de primeiro mundo representados por seus pilotos de olhos azuis e suas empresas multinacionais sedentas de vitória.

Era comum ver Ayrton Senna extenuado após as corridas Era comum ver Ayrton Senna extenuado após as corridas

Além dos três títulos mundiais de Fórmula 1, foram 65 pole positions, 41 vitórias e 80 pódios na categoria, a maioria com grande emoção, com Ayrton Senna superando carros mais potentes, chuvas, jogo sujo de rivais, e o esgotamento físico para vencer todas as adversidades e, ao final, mal conseguir levantar o troféu da vitória tamanho seu desgaste.

Durante este ano, muitas homenagens virão, como o desfile da escola de samba Unidos da Tijuca no Carnaval, que deu mais um campeonato a Ayrton Senna ao contar sua história de uma forma lúdica e carinhosa, e sair com uma justa vitória da Avenida. E tudo ainda será pouco para fazer as novas gerações entenderem o que ele representou para o automobilismo, para o esporte de uma maneira geral, para o Brasil de Norte a Sul.

A Unidos da Tijuca homenageou Ayrton Senna e venceu o CarnavalA Unidos da Tijuca homenageou Ayrton Senna e venceu o Carnaval

Senna era um campeão dentro e fora das pistas, exemplo para todos nós. Hoje, quando muito, sentamos na frente da televisão à espera da largada, para logo depois, entediados com a falta de emoção, previsibilidade do resultado, e falta de pilotos nacionais capazes de acender uma fagulha sequer de esperança para nosso esporte, mudarmos de canal ou desligarmos a televisão, recordando saudosistas da época em que trocávamos qualquer programa de domingo para ver o Ayrton Senna do Brasil conquistar mais uma vitória.