O Que É Ser Feliz?

Olá, caro leitor. Esse mês vamos aprender o que significa ser feliz segundo o pensamento do filósofo holandês Baruch Spinoza.  Embora esse pensador seja um autor não muito conhecido fora do establishment acadêmico atual, ele teve fundamental importância dentro da filosofia ocidental do século XVI.

Vamos lá?

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*Deus e Cosmologia em Baruch Spinoza *

Antes de entender como o ser humano deve ser feliz ou, melhor dizendo, como ele deve se comportar para ser feliz; é mister pensar como Spinoza entendia o mundo, ou seja, qual era o fundamento dos cosmos ou da realidade dentro da sua filosofia.

O filósofo pensava que existia uma substância que era causadora de si e que causava ao mesmo tempo todas as outras substâncias. Com outras palavras, existe algo na natureza que produz um ?primeiro movimento? e que causa todos os outros entes da realidade.   A essa substância Spinoza dava o nome de Deus.

Sobre esse conceito de substância/Deus, Chauí bem nos lembra: ?Existente em si e por si, essência absolutamente complexa, a substância absolutamente infinita é potência absoluta de auto-reprodução e de produção de todas as coisas.?(Chauí, 2011, p. 70)

Bom, se voltarmos ao pensamento grego/clássico iremos perceber que até então, Platão e Aristóteles, por exemplo, já falavam do famoso conceito de ?primeiro motor? ou do ?mundo das idéias? de onde provêm todas as formas sensíveis e temporais do mundo em que vivemos.  Esse Deus ou substância primeira já tinha sido especulado pelos filósofos gregos a priori dentro da história.

Existe, porém, uma diferença em relação dessa filosofia clássica e o pensamento de Spinoza.  O conceito Spinozista, nos remete a uma primeira substância ou Deus, não no sentido metafísico, porém, de maneira imanente.

Com palavras mais simples, o pensamento de Spinoza nos diz que a substância primeira não está lá em cima em um céu longínquo e distante de nós. Não! Para Spinoza, Deus ou a substância eficiente é parte de toda a natureza da qual vivemos e, da qual, estamos imersos agora. Deus é a natureza desse mundo. É, somente, a partir  desse Deus imanente  que tudo pode existir. * ?Tudo o que existe, existe em Deus, e sem Deus, nada pode existir e nem ser concebido?. *(Spinoza, 2010, p. 31)

O homem ? Um modo finito do infinito

Então, o que é o homem, afinal de contas?

Ainda segundo Spinoza, o homem seria um modo finito dessa substância primeira. Uma parte da qual sai dessa substância.* O homem seria um modo ou uma ?parcela? finita que provêm de um modo infinito que é Deus*.

Esse modo finito tem duas características principais: extensão e pensamento, ou melhor, dizendo, um corpo e uma mente respectivamente.

Corpo e mente ? A interdependência dos modos finitos

Para Spinoza, mente e corpo não são duas entidades separadas como pensava o pensamento Cartesiano. Cada ser humano é singular, pois, possui um corpo que é formado por órgãos e um pensamento que pode afetar todas as suas sensações desses órgãos.

Como todos nós somos modos finitos, outro ponto fundamental dessa filosofia é que: os seres humanos sendo extensão e pensamento não podem se bastar a si próprios; pois, estando necessariamente dentro do mundo real eles irão  se encontrar com outros corpos e outras mentes igualmente finitos.

Existe, portanto, nessa filosofia uma interdependência ou um determinismo de liberdade. Os homens necessariamente precisam se relacionar; para Spinoza, nunca seremos livres para não nos encontrarmos uns com os outros e não nos influenciarmos juntamente.

Bom, se é assim, já temos uma um axioma de como não se dará a felicidade em Spinoza: nenhum um homem poderá ser feliz sozinho?

Manutenção do Conatus

Então, como ser feliz?

Se o homem necessariamente irá se encontrar com outros corpos ele irá ser um ente eternamente apaixonado, dirá o filósofo. Sim, mas o conceito de ?paixão? em Spinoza não significa necessariamente uma relação amorosa, mas sim, uma troca de afetos e sentimentos que provêm de todos os tipos de encontros.

Em nossos relacionamentos de uma maneira geral podemos sentir alegria, tristeza, desejo, repulsa e etc. Para Spinoza, todos esses afetos são passagens ou sensações temporais que podem aumentar ou diminuir o nosso conatus.

Sim, cada ser finito possui uma força interna de auto-preservação que o filósofo holandês chamou de conatus. Essa força aumenta quando sentimos emoções positivas e diminui quando sentimos emoções negativas. Todos os seres da natureza possuem esse conatus.

Todavia, o homem possui uma diferença como nos lembra Chaui: ?Os humanos, como os demais seres singulares, são conatus, como uma peculiaridade  de que somente os humanos  são consciente de ser uma potência ou um esforço de preservação na existência?. (IDEM, grifo nosso, p. 84)

Dito de outro modo, somente nós homens finitos temos consciência de que podemos nos preservar, e que, portanto, cabe a nós mesmos manter firme o nosso conatus.

Se perguntarmos, então a esse filósofo como ser feliz, talvez ele assim nos dissesse:

-Spinoza: você não pode saber quais e como serão os encontros com os outros homens; você não saberá se será bom ou ruim;  porém, uma coisa você deve saber: é preciso sempre  alimentar bons sentimentos e paixões como: alegria, cordialidade e  amor  e evitar os ruins como ódio, ira inveja e medo. Pois, sempre que você ativar bons sentimentos isso aumenta o seu conatus; e como todos vivemos interligados com outros modos, conseqüentemente,  isso irá produzir uma vida mais feliz entre todos.

Não se preocupe, pois, todos os maus sentimos e sensações são passageiros, embora, os bons também sejam. Todavia, lembre-se sempre disso: tenha consciência dessa força interior que existe dentro de você e tente sempre preservá-la ao máximo através dos melhores momentos que você tiver a partir dos encontros apaixonados de sua existência.

Bom, se é assim que diz esse sábio filósofo, eu vou preservar e aumentar o meu conatus vendo o que tem de bom aqui no Elefante Verde para aproveitar o melhor de Nova Iguaçu.

Até a próxima!

Referência bibliográfica:

Ethica- Baruch de Spinoza. Editora Autêntica,. 3 ed. Belo Horizonte. 2010

Comentador: Marilena Chauí: Desejo, Paixão e Desejo de Espinoza.  Marilena Chaui.  . Ed. Companhia das letras, 2011.

 Para saber mais:

 Filme: Espinosa ? O Apóstolo da Razão-  Disponível do youtube. aqui.