Cachaça? Sim, por favor.

**Cachaça** é coisa de pobre! [![cachaca](https://s3.amazonaws.com/static.elefanteverde.com.br/blog/wp-content/uploads/sites/16/2015/02/cachaca-300x175.jpg)](https://s3.amazonaws.com/static.elefanteverde.com.br/blog/wp-content/uploads/sites/16/2015/02/cachaca.jpg)
 
Nossa, amiga, você vai beber “isso”? Disse Maria Inês
- “Isso” o quê? Replicou, Pedrita.
- Cachaça.
- Ué, vou. 
- Credo, não vou pagar mico.
 
Assim começara o diálogo, depois de pedir uma dose de cachaça ao garçom. Maria Inês não concorda.
Acha feio, vexatório, até.
Mas Pedrita tem uma carta na manga que Maria Inês nem imaginava. Ano passado quando Maria foi para a aclamada Miami “comprar o que não deve com o dinheiro que não tem”, Pedrita escolheu ir às Minas Gerais, começou por Ouro Preto e Pedrita se apaixonou por Alexandrino, não, não. Aleijadinho.
Pedrita acreditava que cachaça era coisa de bêbado mas mudou seus conceitos.
Começou a namorar o Guilhermino (mas logo o Guilhermino?! Aquele chato de galoja que sabe tudo namorando a Pietra? Sim.) Apaixonadérrimos.
Guilhermino (devido a paixão ou egoísmo) explicou tudo à Pedrita.
 
 Fomos manipulados para ter tal aversão a essa bebida, Pedrita. 
A Cachaça foi descoberta pelos escravos dos engenhos de açúcar em meados do século XVI e é uma bebida feita da fermentação e destilação do caldo de cana, enquanto o rum tem sua origem na fermentação do melaço, subproduto da produção do açúcar de cana (desafiando a inteligencia por que Pedrita sabia desse fato “grandioso”).
Na mesma época de sua descoberta, produção e consumo, a elite brasileira resumia sua preferência por vinhos e pela bagaceira (aguardente proveniente da fermentação do bagaço da uva), ambos trazidos de Portugal. Concomitantemente, esses engenhos e alambiques se espalharam no Brasil Colônia, sendo a bebida mais consumida.
 Com esse crescimento acentuado a Corte Portuguesa proibiu a produção sob a justificativa de que seu consumo ameaçava a segurança e a ordem da Colônia. Porém, o principal e único motivo é que esse destilado começou a ganhar espaços mais elitizados, levando à diminuição do consumo da bagaceira oriunda de Portugal e com isso levando à diminuição na arrecadação de impostos. 
Fácil notar a evidente campanha feita contra essa bebida e as inúmeras tentativas de mantê-la sempre nos mais baixos níveis do consumo social. A cachaça após travar muitas guerras contra o preconceito, é a terceira bebida destilada mais consumida em todo o mundo e a destilada mais consumida no Brasil. A produção atual de cachaça alcança níveis em torno de 1,3 bilhões de litros por ano. 
Os produtores brasileiros reivindicaram a produção e nome da cachaça como produto exclusivo do Brasil e conseguiram seu objetivo. Antes do reconhecimento o produto era comercializado, internacionalmente, como “Brazilian Rum”, e agora só pode ser vendido como Cachaça, seguindo as regras e padrões estabelecidas no controle de qualidade para manter-se fiel à sua identidade. 
Hoje em dia, verificamos a notável busca pela associação da cachaça ao glamour. Prova disso foi a Cachaça 51, líder no segmento, ter patrocinado o São Paulo Fashion Week evento de moda de maior porte do país. Mas, fora as disputas sociais e econômicas, não posso deixar de frisar com extremo conhecimento de causa a qualidade incontestável da Cachaça Brasileira.
No ritual de degustação da cachaça algumas etapas devem ser respeitadas: deve ser servida em copo de vidro com parede lisa, incolor e transparente. A visão da oleosidade da cachaça é examinada vertendo o copo e observando a formação da película oleosa na parede do copo. A baixa velocidade das lágrimas é um forte indicativo de que se trata de um produto de qualidade. Importante é, também, a cor da cachaça que deve ser transparente e brilhante. 
Já as envelhecidas ou descansadas em tonéis de madeira apresentam tonalidades que vão do amarelo-ouro ao rosado. Já em relação ao aroma, este não pode em hipótese alguma ser agressivo ao olfato, cachaças de qualidade apresentam aromas frutados e adocicados. A verdadeira cachaça é agradável ao paladar, com acidez equilibrada. No céu da boca é comum se notar a presença de cobre. Não deve apresentar gosto de álcool e ao ser engolida deve descer bem, suavemente sem aquela queima na garganta típica das cachaças de má qualidade. As degustações de cachaça são muito comuns no país, mas relaciono cinco que são sempre sucesso de crítica. 
5° lugar - Claudionor de Januário/MG 4° lugar a Germana – Nova União/MG 3º lugar Canarinha de Salinas/MG 2° lugar com a Anísio Santiago também de Salinas/MG e o primeiro lugar com a prestigiada cachaça Vale Verde de Betim/MG. [![20140206181822715496i](https://s3.amazonaws.com/static.elefanteverde.com.br/blog/wp-content/uploads/sites/16/2015/02/20140206181822715496i-200x300.jpg)](https://s3.amazonaws.com/static.elefanteverde.com.br/blog/wp-content/uploads/sites/16/2015/02/20140206181822715496i.jpg)
Depois de lembrar disso… Pedrita anunciou ao Garçom: – Uma dose dupla de cachaça, por favor.
Maria Inês sucumbiu mas riu.  
 
 
 
 
 
Bruna Held, uma