Capítulo II: O Início

Lá pelos idos do final da década de 80, passeando pelo meu bairro em dia de feira livre, passeava descompromisso buscando as mesmas novidades que todo sábado eu via? rsrs? e que me fascinavam?. Revistas em quadrinho, livros e impressos em geral usados vendidos a ermo na feira ao lado de frutas, legumes e peixes, vejo um livro chamado (se minha memória não me enganar dessa vez)* ?o manual da fotografia?*, um livro de capa dura formato grande, como sempre eu era muito curioso com coisas curiosas (desculpem o trocadilho infame? rs), mas eu era assim e acho que ainda guardo muito isso, a impetuosidade de gostar do novo, de não se acostumar com o que você já sabe, ver outros olhares, acho que já era a veia de fotografia saltando. Enfim, peguei algumas revistas que não queria mais, juntei um dinheiro e torci para no outro final de semana não aparecesse outro garoto nerd querendo ler sobre fotografia? rs. Consegui, consegui comprar o tal livro de fotografia e um mundo de regras, funções, equipamentos, cálculos, filmes diferentes, luz, fotômetro, asa, diafragma, velocidade se abriu? ptz? minha cabeça virou uma zona.

elefante-verde-24062014001

Sempre gostei muito de desenhar, desde bem novo, tímido como eu só, desenhar era minha terapia, eu me fechava no meu mundo de possibilidades e criatividade (mas isso é papo para um livro? rsrs) e isso que eu acho que fez a ponte pra eu ter a ânsia de aprender sobre fotografia, ou seja, era como se os olhares, os enquadramentos, os storybords, tudo remetia a controlar e eternizar o que a mente imagina primeiro e depois seus olhos criam, paralelo a isso conheci uma grande incentivadora dessa nova fase de curiosidades, Greice Rosa (como o currículo dessa talentosa mulher é vasto demais, aqui está o LINK ) onde aprendemos juntos muita coisa de fotografia, sinceramente não lembro com exatidão onde conseguimos uma Pentax K1000, mas nesse momento toda aquela ânsia de transformar toda aquela confusão mental de informações que eu tinha lido estava muito latente, não vou entrar nos detalhes de que filme, que regulagem e blá blá blá técnico, porque não é essa a ideia desta coluna. Espero que com esse texto eu tenha conseguido passar o nascimento de uma vontade, de uma gana, de um viés artístico, como se origina a vontade de criar, a curiosidade de fazer, de ter orgulho de fazer algo que supostamente achamos bonito, legal, contundente, o ser fotógrafo tem por essência o olhar, a história que fez o olhar, como era o olhar antes do olhar, de onde vem a dor, a alegria, o vigor, a raiva e todos os sentimentos marcados no controle da luz e das sombras, a pouco tempo escutei um fotógrafo chamado Marcio Scavone falar: ?Toda fotografia é um auto-retrato?. Pensei muito nesta frase e concordei plenamente? todas as nossas impressões sobre a vida, sobre emoções elas ficam congeladas na retina da nossa alma para que possam ser reveladas no nosso olhar.

elefante-verde-24062014002

Na próxima postagem vou tentar narrar a emoção da minha primeira saída para fazer uma sessão de fotos. Esperamos que estejamos juntos na nossa próxima resenha? até lá?