Carnaval e Modismos

Carnaval e ModismosCarnaval e Modismos

Moraes Moreira reclama da invasão dos sertanejos no Carnaval baiano ano passado. Até trio sertanejo passou pelo circuito. Mas a Bahia ainda representa um território à parte dentro do cenário musical brasileiro. Me lembro, muito antes de Dandalunda estourar geral, de ouvir, seis horas da manhã, em um dia de julho, a música ecoando em um bairro periférico da capital baiana. E sempre é assim. Sem discutir qualidade ou relevância da música da moda, o que é produzido em Salvador tem repercussão e um mercado local tão forte e representativo que o que vem depois, descendo a BR-101, é lucro.

Há de se elogiar a capacidade dos artistas da boa terra de construir um mercado tão sólido e que não se dobra às capitais culturais do Brasil, que são São Paulo e Rio de Janeiro. Tivéssemos em cada região uma produção cultural tão potente e consolidada, aliada a um produto tão original quanto o carnaval de lá, e tanto a indústria cultural quanto o turismo sairiam ganhando. A economia ficaria aquecida e os artistas teriam emprego garantido.

Lepo Lepo? Foi uma bobagem fazer campanha, ridicularizar todo o movimento gerado, as dancinhas e tudo o mais. Psirico não vai significar nada para a história da música brasileira, e nem este é o propósito. Aliás, quem se lembra da moda de 2014? Qual vai ser a deste ano? A ideia sempre é turbinar o carnaval, e gerar uma onda que vai durar até um novo eleito ganhar a preferência da galera. Em uma comparação grosseira, dentro da gastronomia, os pratos mais refinados da culinária francesa é que são incensados e que referendam o valor histórico desta manifestação cultural, mas o croissant, sim, mata a fome de todos os dias. Com música, por mais que os grandes mestres recebam a reverência, o que estiver mais à mão, sendo acessível para o momento e o nível intelectual da maioria, é que vai prevalecer.

A lamentar que Santa Catarina, e, sobretudo, nossa região, com uma produção musical tão relevante e rica, não tenha ainda a condição de se impor de forma a criar uma fatia de mercado consolidada e que, aliada ao potencial turístico de que dispomos, possibilite uma indústria cultural da altura que poderia ter. O Festival de Música de Itajaí é uma das iniciativas que pode permitir esta ligação tão promissora entre cultura e economia.