CARTA ABERTA AO MEU FILHO GABRIEL

Querido Gabriel,

Você não imagina a alegria que me dá quando você veste a camisa do meu Palestra. Quando diz pra alguém: ?Eu sou Palmeiras!?

Percebo o tamanho da herança que dei a você, a mesma que recebi do meu pai e da minha mãe. Graças a Deus.

Ser Palmeiras é um legado. Carregamos a história de um povo que tem vocação para a guerra, que tem DNA de gladiador, de soldado, de imperador, de gente que planta pra comer e pra beber. De gente que atravessa o oceano, para viver num outro país. Nossa pátria mãe gentil recebeu os italianos de braços abertos, mas a vida aqui foi construída tijolo a tijolo, vida de estrangeiro, de imigrante. Mas imigrante que sabe de onde veio, que preservou costumes, fez fortuna e não sabia viver sem um time de futebol para amar!  Assim nasceu o Palestra. A única equipe a vestir a camisa da seleção brasileira! Um clube onde se ensina futebol e por respeito se fez chamar Academia de Futebol.

Filho, nós não assinamos, mas somos Berardinelli. Penso, que os sobrenomes italianos terminados em ?i? são ainda mais italianos, obrigatoriamente, mais palestrinos.

Nossos antepassados como todos tinham também graves defeitos: briguentos, orgulhosos, sedentos de poder, conservadores, características, que por diversas vezes quase arruinaram o nosso Palestra.  Mamãe ficou quase 18 anos sem saber o que era um título. Já fui uma vez com o Palmeiras para a segunda divisão do brasileirão. Dói!

E para lá, vamos outra vez. Sinto a mesma dor de antes. Mas como diriam os antigos o que não nos mata, nos fortalece e não  somos um bando de louco, não somos nação, nem fiel, maloqueiro e sofredor! Somos uma torcida que canta e vibra e sobretudo somos uma família. A família Palestra!

Erga a cabeça e nunca, nunca, em tempo ou divisão alguma renegue a Sociedade Esportiva Palmeiras. Porque amanhã é outro dia, sempre!

Com amor, mamãe.