Caso da Princesa Diamante ameaça reabertura de Zoo

Fala, macacada!

A notícia exibida pelo Fantástico sobre a Princesa Diamante, a cobra branca raríssima que teria sido vítima de tráfico internacional, é um duro golpe no processo de reabertura do centro de reabilitação de animais do zoológico de Niterói, o Zoonit.

As obras e demais ações necessárias para a reabertura do zoológico já se arrastam há anos, desde o primeiro escândalo envolvendo a instituição, quando foi fechada em 2011 pelo Ibama por não apresentar, na avaliação do órgão ambiental, as condições mínimas para a manutenção dos animais silvestres na área de 10 mil metros quadrados localizada no coração do Fonseca.

De lá pra cá, diversos anúncios de reabertura, sempre cancelada com a alegação de falta de verbas para dar prosseguimento a regularização das exigências ambientais. Aqui mesmo no blog, cheguei a comemorar o último anúncio da retomada do projeto.

Para quem não viu a reportagem do Fantástico, a notícia é de que a Polícia Federal faz buscas a uma jibóia de pele toda branca e olhos negros, que era a única no mundo em 2006, quando foi encontrada na mata e levada para o zoológico de Niterói. A ex-gestora do zoológico e seu marido foram presos na semana passada sob acusação de que teriam vendido a cobra a um americano por um valor estimado de um milhão de dólares, com base no depoimento de um veterinário do local, que acusou a administradora de ter levado a cobra para casa e depois informado que ela havia morrido.

A jibóia Princesa Diamante com americano acusado de tráficoA jibóia Princesa Diamante com americano acusado de tráfico

Embora embasbacado com a notícia, continuo sendo um entusiasta da retomada do trabalho do centro de reabilitação de animais que sempre foi orgulho de Niterói, por ter salvado muitas vidas ao longo dos anos e cuidado da recuperação dos bichinhos até que pudessem ser devolvidos ao se habitat natural, após serem vítimas dos desmatamentos, poluição, maus-tratos e tráfico de animais.

É possível que vejamos nos próximos dias notícias de soluções drásticas e simplórias tomadas por nossos governantes, mais preocupados em mostrar que são enérgicos e menos interessados nos efeitos das medidas no médio e longo prazo. Não me surpreenderia, por exemplo, com o anúncio do fechamento permanente do zoológico e a utilização de seu valioso terreno para finalidades que nada contribuem para a causa ambiental.

O que as denúncias esfregam em nossa cara, porém, é que a crueldade contra os animais continua a todo vapor, que o tráfico de animais está cada vez mais rentável para os criminosos. E isto é que torna ainda mais necessária a reativação do Zoonit, não como centro de confinamento de animais para visitação e muito menos como fornecedor de traficantes internacionais, mas para exercer a função de conservação e preservação da biodiversidade para o qual foi criado e se especializou ao longo de décadas.

Pinguins que se perdem nas praias de Niterói eram tratados no ZoonitPinguins que se perdiam nas praias de Niterói eram tratados no Zoonit

Cabe aos agentes públicos investigar a fundo este caso, desmontar a rede criminosa que gira em torno da venda de animais silvestres, e reestruturar urgentemente o zoológico para que possa voltar a cumprir seu papel de forma digna, medida que inclui afastar seres peçonhentos que serpenteiem sorrateiramente pelos órgãos ambientais, buscando uma oportunidade para dar o bote!