Cidadania e Respeito!

cidadaniaAs manifestações públicas de protesto desencadeadas pelo país afora, tendo como estopim os aumentos de tarifas de ônibus, continuam a desafiar os cientistas sociais.

Não me sinto capaz de partilhar desta análise, do ponto de vista das ciências sociais, porém, ao me deparar com a ausência de lideranças, a forma ordeira da maioria dos manifestantes e a violência da repressão, não posso deixar de expressar os meus sentimentos.

A mídia em geral tem sido unânime na avaliação de que os atos de vandalismo têm sido praticados de forma isolada, por pequenos grupos dissonantes daqueles que engrossam os atos de protesto.

Vejo unanimidade também na avaliação quanto ao despreparo das forças policiais para o enfrentamento de atos desta natureza, agindo de forma arbitrária e truculenta, com violência desmedida no início e em algumas intervenções e, em outras, se ausentando e se omitindo.

Vejo porém que estes atos de violência se somam às violentações a que todos são submetidos no cotidiano os quais, não obstante, conseguem se manifestar de forma ordeira e pacífica, remetendo-nos ao Satyagraha, ou ativismo com não violência, liderado por Gandhi na Índia, no século passado.

Só para exemplificar, dentre as atitudes de violência praticadas por governantes, nos três poderes e em todas as esferas, cito:

  • Destinação de verbas para a construção de monumentais obras superfaturadas de estádios inúteis, em detrimento da construção e aparelhamento de instalações hospitalares e unidades de saúde;
  • Falta de transparência dos indicadores de custos de transportes públicos e de números de passageiros transportados, levando à suspeita de aumentos abusivos de tarifas;
  • Perpetuação de vários tipos de escravizadoras bolsas de auxílio, de forma a garantir um artificialismo cruel de extinção de miséria, em detrimento de um seguro e sustentável desenvolvimento educacional;
  • Os abusivos gastos de comitivas em viagens diplomáticas e desprezo pela Lei de transparência, em detrimento de investimentos imprescindíveis em moradias e infraestruturas públicas visando à dignidade da população;
  • Insistência na realização de conchavos políticos, em detrimento da elaboração de planos estratégicos sólidos, que permitam um desenvolvimento firme e sustentável;
  • Reiterado desrespeito às leis, ineficácia na apuração de crimes e morosidade da justiça, como no atual caso do Mensalão, levando ao descrédito do sistema judiciário.

Enfim, vejo razões de sobra para o crescente aumento da indignação popular evidenciada pelas pesquisas de opinião, mas, a par de toda esta indignação, confesso ver com orgulho demonstrações de que, de forma civilizada, os brasileiros sabem ser necessário assumir atitudes com vistas a mudar tal estado de coisas. E a primeira atitude de cidadania que me parece despontar é a de respeito, indo contra aquela nefasta ideia que talvez nos tenha levado a muitos anos de estagnação e atraso, a de ?levar vantagem em tudo?. Sim, RESPEITO é a palavra de ordem atual, respeito pelo próximo, pelos direitos, pelas leis, pela coisa pública, pela saúde, pela educação, pelos transportes, pelas moradias, enfim, respeito por si mesmo e pela vida!