Cuidado! Você pode ser um Codependente!

CodependênciaCodependência

Existe uma banalização com relação ao tema codependência, que é por muitos de nós, associado somente aos alcoolistas e dependentes químicos, sem dar-se conta de que essa condição ocorre em muitas outras esferas, sendo imprescindível que seja identificada e tratada.

Muito me espanta que mais de 50% das pessoas em atendimento psicológico, sofram por problemas não próprios, ou seja, pessoas em profunda dor emocional, causada por comportamentos alheios.

A codependência é uma condição emocional, psicológica e comportamental que se desenvolve como resultado da prática de regras opressivas que evitam manifestações abertas de sentimentos, resultando numa reduzida capacidade de relacionar-se em afeto. Em outras palavras, Codependente é alguém que se deixa afetar pelo comportamento de outra pessoa, ficando obcecado em controlar o comportamento da mesma, sem se dar conta de que a sua forma de comportar-se passou a depender desses comportamentos.

São pessoas que se sentem responsáveis pelo mundo inteiro, e ao mesmo tempo recusam-se a ser responsáveis e viver a própria vida, podendo ser hostis, controladoras, manipuladoras, dissimuladas, causadoras de culpa e muito mais.

Sim, falo de mecanismos negativos, mas eles jamais tornam o codependente um “vilão”. Ao contrário, os codependentes são pessoas que sofrem muito, perdem sua identidade, tornam-se autodestrutivas, culpadas, arrependidas, usadas pelas pessoas, revoltadas, exaustas e vazias e que raramente se divertem. São pessoas que constantemente se dão aos outros, mas não sabem receber afetividade, ou quando os recebe jamais será suficiente, podendo tornar-se bajuladoras, tiranas ou até mesmo mártires, a fim de permanecerem recebendo o afeto.

Há pessoas que são tão codependentes que concentram suas emoções a partir do outro, ao ponto de se o outro está feliz irão também se sentir felizes e o pior, se sentirão totalmente responsáveis por esta felicidade do outro, ou seja, sem “ele” o outro jamais conseguiria tamanha façanha. Em contra partida, o contrário também é recíproco, na infelicidade do outro, o codependente se torna igualmente responsável, ansioso, desconfortável e miserável.

Você deve ta se perguntando, de quem podemos nos tornar codependentes? Pois bem, são muito mais relações do que você imagina, podem ser: Filhos de alcoolistas, pessoas que se relacionam com outras emocional ou mentalmente perturbadas, pessoas em relacionamentos com doentes crônicos, pai e mãe de crianças com problemas comportamentais, pessoas em relacionamentos com irresponsáveis, os que convivem próximo a pessoas com transtornos e até mesmo profissionais que trabalham com tais processos e etc.

E o grande problema é que esse comportamento acaba não sendo identificado, por se camuflar ao fato de ser boa mãe, boa esposa, bom marido, bom filho, bom irmão, amigo e por aí vai. Acham que esse comportamento é de bondade, de preocupação e de amor.

Quem de nós vai achar “doente”, aquela pessoa que nos cuida tanto? Que é capaz de preocupar-se em tempo integral como os nossos problemas, capaz de listar todo o meu comportamento, o que faço o que sinto o que penso e como se não bastasse com tamanha precisão. Aí é que está o X da questão pois, seria até de certo modo algo bom, se essa pessoa conseguisse fazer algo parecido por si, mas infelizmente um codependente jamais conseguirá relatar qualquer coisa sobre si, pois além do outro não há mais nada. E o pior de tudo é que é muito comum que o codependente que consiga romper com esse tipo de relacionamento, volte a procurar outro relacionamento com a mesma característica, onde ele possa retro-alimentar os seus comportamentos com essa nova pessoa.

É necessário que seja submetido a um tratamento para que volte a ser capaz de tomar decisões com maior facilidade, sentir e expressar seus sentimentos em uma comunicação honesta e direta, prestar atenção às suas necessidades e sentir-se menos culpado, dentro de uma expectativa realista de ser vulnerável. Tudo isto é necessário para que a sua vida volte a funcionar de forma mais saudável.

A dica de hoje é que todos nós façamos uma autoanálise, porque isso pode acontecer com qualquer um de nós, pois, podemos nos misturar tanto ao problema do outro que acabamos nos esquecendo de NÓS MESMOS.