Deus e o diabo na mesa do bar

Diante dos atuais acontecimentos dentro da Igreja Católica e as especulações a respeito do tema, foi inevitável minha conexão mental com o fato de a igreja estar envolvida com a produção de algumas das melhores e mais famosas cervejas do mundo, produzidas em monastérios desde a Idade Média até os dias de hoje, e o fato de existirem tantas cervejas com nomes demoníacos.

Já dando nome aos bois, segundo trechos da Bíblia, Satanás era um ser angelical que decaiu de sua posição no Céu porque queria tomar o lugar de Deus. Parece que antes da queda ele era chamado de Lúcifer, e pelas descrições da Bíblia pode-se deduzir que era um anjo que ocupava um lugar de destaque. Então ele escolheu a Terra para tentar quebrar as regras de Deus e ocupar seu lugar de poder. A criatura querendo o lugar do Criador.

Bem, a figura mítica de Lúcifer representa o mau nos seres humanos, o lado sombrio que todos temos. Representa os males existentes no mundo, a gula, a avareza, a luxúria, a ira, a inveja, a preguiça e a vaidade ou orgulho, que destroem a humanidade pouco a pouco.

É interessante pensarmos em como o universo cervejeiro é tão claro em sua polaridade entre santos e demônios, e em quantas cervejas encontramos no mundo com nomes que se referem a este último.

Bebidas alcoólicas sempre estiveram associadas a cultos e deuses em diversas culturas. Não é a toa que o processo de fermentação era atribuído aos Deuses. O efeito do álcool que resulta da fermentação foi relacionado a elevação do espírito, ao contato do homem com as forças divinas e a proximidade do sagrado, mas também ao alcoolismo, a violência, a pedofilia e a ganância.  Os cerimoniais litúrgicos, que simbolizam a Santa Ceia, são regados a vinho, também fermentados e muitas vezes produzidos em monastérios.

Sempre fazemos o contraponto entre Deus e o Satanás, entre o Sagrado e o Profano, entre o Bem e o Mal, e é engraçado como no universo cervejeiro encontramos estas duas polaridades, DeuS e Lúcifer (também rótulos de cervejas) convivendo em harmonia. Como na minha adega, em que as cervejas dos monges e as cervejas do diabo ocupam o mesmo lugar. Aliás, um provérbio comum nos pubs ingleses diz: ?Deus manda cerveja, e o diabo manda mais!?

Seria possível que o Santíssimo Papa tenha renunciado porque acredita que realmente não tenha mais forças para lidar com o mal do mundo, ou será que ele é contra o mal do mundo também ter se instalado dentro da Igreja? A gente talvez não saiba nunca, mas verdade seja dita? não podemos negar a ligação entre o Céu e o Inferno.

Cheers!!!

P.S: Falamos dos inúmeros rótulos espalhados pelo mundo que fazem referência expressa ao diabo, e não podemos deixar de listar alguns. Aí vai:

Lucifer ? Belga da cervejaria ?Riva Brouwerij?

Dúvel (diabo em flamenco) ? Belga da cervejaria ?Moortgat Brewerij?.

Satan ? Belga da cervejaria ?De Block Brouwerij?

Belzebuth ? Francesa da cervejaria ?Brasserie Grain d?Orge?

Bière du Demon ? Francesa da cervejaria ?Les Brasseurs De Gayant?

Horny Devil ? Americana da cervejaria ?Ale Smith Brewing Company?

E há, ainda, nomes que derivam do mau:

Demon Hunter ? este é o Caçador do Demônio! ? Italiana da cervejaria ?Birrifício Montegioco?

Rapscallion Premier ? rapscallion significa, em inglês, alguém que faz mal deliberadamente.- Americana da ?Concord Brewery?

Judas ? Belga da cervejaria ?Brasserie Union?

The Demons of Ale ? uma série de 3 cervejas, ?Samael?s?, ?The Beast? e ?Mephistopheles? ? Americanas da ?Avery Brewing?

Victory Hop Devil ? *?lúpulo do Demônio? ? Americana da cervejaria *?Victory Brewing Company?

Maudite* ? *Canadense da cervejaria ?Unibroue?.

Perigosa* ? surgiu inicialmente com o nome de VenenosaBrasileira do Paraná, da cervejaria BodeBrown.*

Diabólica* ? *com sugestivos 6,66% de teor alcoólico. Brasileira da uma cervejaria caseira de Curitiba.