Ser Professor: Problemas, Desafios e Paixão pelo Conhecimento.

Olá, caro leitor. Hoje comemoramos o dia do professor!

?- Oh profissãozinha difícil? ? dirão muitos professores.

- É verdade, porém, é extremamente gratificante ensinar! ? Responderão outros.

Porém, qual é a dificuldade do ensino no Brasil? Quais os seus desafios?

Elaborei alguns pontos principais e algumas* idéias pessoais que tenho como professor* sobre a educação no nosso país.  Vamos conhecer?

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Ser professor ? O trabalho com o conhecimento

Aristóteles há mais de 2000 anos dizia ?-Todos os seres humanos naturalmente desejam o conhecimento? [1], muitos anos se passaram e a cada dia todos nós temos o  desejo  de conhecer. Obviamente, hoje, não aprendemos à moda dos antigos gregos, todavia, o ato de conhecer é fundamental para a condição humana.  Dentro dessa ação pela busca do conhecimento é que aparece o papel do professor.

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Os primeiros professores do Brasil ? A vocação para o magistério?

Na época colonial os jesuítas foram os nossos primeiros professores. A educação brasileira desde a mais tenra idade foi influenciada pela Igreja Católica?Aos jesuítas, coube, praticamente, o monopólio do ensino escolar no Brasil durante um tempo razoável. Algo em torno de duzentos anos?. [2]

Tal influência deixou uma marca profunda na profissão do magistério no Brasil ? a ideia de que o ensino é algo apenas para as pessoas que possuem uma vocação quase religiosa. ?O que se faz por amor e não apenas pelo dinheiro? ? diriam muitos.

Não é para menos que muitos profissionais do ensino, hoje, sobrevivem talvez menos a custo de sua vocação e mais à custa de um ?milagre?, ?ajuda divina?, ?graça? ou coisas similares.

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A gratificação pelo conhecimento e o trabalho árduo do professor brasileiro

Os professores são homens e mulheres que não desistem de ensinar e de promover o ?espanto? dos jovens para o conhecimento e a cultura.  Isso no Brasil é algo muito trabalhoso. Por algum motivo histórico ou sociológico (que não cabe aqui pormenorizar), o nosso país sempre foi contra o estudo sério.  Da educação o brasileiro sempre quis os privilégios e as benesses. Isso embora seja uma realidade atual não é algo novo em nosso país.

Lima Barreto já escrevia no começo do séc. XX sobre o brasileiro e a sua relação com o ensino superior: *?O ensino superior fascina a todos. Os seus títulos, como sabeis, dão tantos privilégios, tantas regalias, que pobres e ricos correm para ele?. *[3]

Essa condição de apenas enxergar o conhecimento como ascensão social é válida em qualquer sociedade, porém, ela não pode ser a única.

O trabalho do professor sério é sempre mostrar que os privilégios e as benesses são válidos somente quando a educação nos faz cidadão melhores para melhorar primeiramente a nós mesmos; e, com isso, construirmos uma sociedade mais justa e melhor.

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Qual é o papel fundamental do professor?

O professor é o profissional que mais do que ensinar conteúdos específicos deve despertar a vontade de aprender e de conhecer.  Os conteúdos como: português, matemática, história, geografia, podem ser esquecidos em apenas alguns meses, porém, quem nunca se lembra daquele professor na escola ou na faculdade que gostava de ensinar e que despertava em nós uma vontade enorme de aprender?

Sim, esse ?impulso? por conhecer, de buscar e de aprender é o papel mais importante da educação e tem no professor, a sua figura central.

Muitos dizem: ?é preciso ter mais educação, mais educação?. Talvez o ponto para a mudança da nossa sociedade pela educação não seja tanto o alto investimento econômico ou investimento de bilhões.  Não, *talvez seja mais complexo do que apenas investir dinheiro. *

Devemos mudar a nossa cultura com relação ao ensino. Esse é o ponto central. Valorizar os profissionais da educação, possuir uma escola com uma boa infraestrutura e dar acesso a educação gratuita e de qualidade, penso ser as únicas formas de tornar a nossa sociedade mais inteligente para os próximos anos.

[1] Aristóteles, Metafísica, p. 41

[2] Ghiraldelli, Paulo. A História da educação no Brasil, p, 25.

*[3] Barreto, Lima. Os Bruzundangas, p. 59. *