Empresas Tóxicas X Empresas Saudáveis

Empresas Tóxicas ou Saudáveis

Um tema recorrente em meu trabalho é refletir e atuar para que a gestão das empresas torne-se cada vez mais pautada na humanização e respeito aos colaboradores. Não é uma questão de ser bonzinho; a preocupação com as necessidades dos funcionários e modelos de gestão que respeitam genuinamente a equipe funcionam positivamente, trazendo muitos ganhos à empresa. Todos trabalham mais motivados e a produção torna-se maior e com mais qualidade. Na minha experiência nos últimos tempos como consultora de recursos humanos, tenho me deparado com as duas situações antagônicas e observado os resultados no cotidiano e na produtividade.

Nas empresas saudáveis, as pessoas trabalham sorridentes e orgulhosas por pertencerem àquele ambiente (tenha ela dez, sessenta ou quinhentos funcionários). Acordam pela manhã cheias de ideias, projetos novos e motivação para contribuir com o crescimento de sua empresa. Não fazem seu trabalho porque são pressionadas, mas têm prazer em desenvolver algo positivo, que reverta favoravelmente para elas e para a empresa. Conheço gestores muito gentis, respeitosos, éticos, profissionais. Realmente dispostos a ouvir e discutir com civilidade, mesmo pontos controversos de uma questão. Fico muito feliz quando converso com um que tenha este tipo de postura, porque sei que na sua empresa, impera o respeito e comprometimento por parte de todos.

De outro lado, nas empresas tóxicas, todo o ambiente de trabalho está contaminado. Não há respeito pelo outro, pelo colega, pelo subordinado. O que importa é a relação de poder. Já vi gestores aos berros com seus subordinados, empresários que ultrajam, humilham, dizem palavrões para quem quiser ouvir. Presenciei situações onde as pessoas tinham pavor de atender ao telefone, quando verificavam que a ligação era interna; e departamentos inteiros tremendo ao ouvir a voz do diretor, porque sabiam que lá vinha humilhação.

As pessoas permanecem em ambientes assim por necessidade. Tenho observado como muitas pessoas se tornam reféns de situações aviltantes, se agarram a empregos que lhes minam a saúde (física e mental) não apenas por necessidade financeira, mas até por devoção a estes gestores, medo de efetuar mudanças em suas vidas, acomodação.

Já ouvi gerentes dizendo que queriam sim manter seus subordinados com medo. Não pretendiam construir um clima facilitador de boas e amigáveis relações, mas queriam basear o desempenho unicamente na pressão e pavor. Ou ainda que não é bom elogiar ou valorizar o trabalho (porque isto faz a pessoa sentir-se bem).

O que tais empresários, gerentes, diretores, coordenadores, supervisores não percebem é que tipo de postura caminha às avessas de uma tendência administrativa onde predomine o diálogo, debate aberto de opiniões e diversidade. Estão na contramão de tudo o que há de mais moderno em termos de gestão, a gestão que visa a qualidade de vida, no trabalho e fora dele.

Os problemas mais dramáticos na gestão de pessoas ocorrem quando impera o terrorismo e pressão gratuitos, o desrespeito total aos indivíduos. As pessoas entram em tal estado de desmotivação e ansiedade, que passam a errar mais, piorando seu desempenho. São os ambientes de trabalho tóxicos: aqueles que fazem as pessoas sentirem-se mais e mais infelizes, e esse fenômeno não se restringe a uma ou duas pessoas. Acaba atingindo grande parte dos funcionários. A raiva, o ciúme e a disputa pelo poder contaminam e contagiam negativamente, desmotivando e deprimindo a equipe.

Nem todos os dias estamos de ótimo humor, da mesma forma que a pressão por resultados e atingimento de metas e bom desempenho é uma característica inerente ao mundo organizacional competitivo. Entretanto, a cobrança pode ser feita de forma polida, e o clima no ambiente de trabalho pode ser positivo ainda que haja sobrecarga e acúmulo de tarefas.

A realização no trabalho é um dos principais pilares de nossa realização mais global, como seres humanos. Ambientes tóxicos geram frustração, apatia e medo, os inimigos da competência e bom desempenho.

Por outro lado, ambientes de trabalho que oferecem climas positivos, relações interpessoais amigáveis e até uma saudável disputa de poder e competitividade baseada no respeito mútuo, possuem colaboradores mais engajados no desempenho das tarefas e colaborativos, motivados a contribuir com o desenvolvimento da organização. Ganham todos: empresa, empresários, colaboradores.

E aí na sua empresa, como está o ambiente – saudável ou tóxico?


Fabiana Vieira. Tem formação em Direito e Psicologia. É Especialista em Administração e Mestre em Psicologia Social e do Trabalho. Doutoranda em Educação (UFPR). Professora Universitária, Pisicoterapueta e Consultora na área de Gestão de Pessoas e Carreira Profissional. Sócia-Proprietária na Duo Publicidade e Treinamentos. Contatos para palestras e treinamentos: fabianaconsultora@gmail.com