Estilo para todo gosto

Meu amor pelas cervejas passa pelo meu apreço a diversidade. Quando digo a alguém que trabalho com cervejas ouço às vezes, com tristeza, algumas pessoas me dizerem que não apreciam a bebida, mas não perco a esperança de trazer um novo amante da cerveja para este universo tão democrático. Digo democrático porque dentro da imensa variedade de cervejas podemos encontrar uma grande diversidade de cores, espumas, aromas e sabores que provocam nossos sentidos, nos despertam prazeres, e lanço um desafio a mim mesma, o de encontrar, no mínimo uma cerveja que agrade a quem me disse não gostar desse néctar!

Todas as cervejas são elaboradas com quatro ingredientes, água, malte de cevada, leveduras e lúpulo. Digo quatro porque apenas a Escola Alemã determina que estes sejam os únicos ingredientes utilizados na elaboração de uma receita de cerveja (Lei da Pureza de 1516). Com estes quatro ingredientes, já poderiam ser criadas centenas de cervejas, mas cervejas também podem ser elaboradas com o que a imaginação do Mestre Cervejeiro permitir.

Existem cervejas elaboradas com outros cereais, como o trigo, a aveia e o centeio, com adição de frutas, de especiarias, sementes e ervas, cervejas que passam por maturação em barris de cachaça, vinho, whisky, cervejas preparadas para serem de ?guarda? e apreciadas depois de evoluírem na garrafa assim como alguns vinhos, cervejas que passam por processos de congelamento para aumentar os teores alcoólicos, e por aí vamos.

Ales Uerige, referência no estilo alt bier

Além disso, existem diferentes tipos de maltes e graus de torrefação, que variam desde os muito pálidos até os extremamente torrados. O Mestre Cervejeiro pode misturar maltes (blends) dando coloração própria a uma determinada cerveja. E os lúpulos? São dezenas de diferentes espécies que conferem à cerveja diferentes graus de amargor e aromas e podem ser adicionados à receita um ou mais tipos de lúpulo.

Já que falamos aqui de estilos então vamos falar de leveduras, é a partir delas que classificamos as famílias.  São centenas de cepas e elas se categorizam entre as leveduras Ales (fermentam em altas temperaturas, trabalhando no topo dos tanques), conhecidas cientificamente como Saccharomyces Cerevisiae e as leveduras Lagers (fermentam a baixas temperaturas trabalhando no fundo dos tanques), ou Saccharomyces *Carlsbergensis ou Uvarum. Temos também a família das *Lambics (hoje chamadas de Sour Beers), que também são leveduras Ales, porém selvagens e presentes no ambiente onde a produção é feita, são muito diferenciadas e algumas almas desavisadas poderiam até confundi-las com vinhos!!!

Então, temos todas estas variantes somadas e multiplicadas num nível exponencial. A variação é infinita!!!

As cervejas das famílias *Ales, Lagers e Lambics *se ramificam em estilos e subestilos, o que nos ajuda a nos referirmos a determinada cerveja como sendo de um determinado estilo, nos dando referência a seu respeito e de outras similares.

Desta forma determinamos os parâmetros que caracterizam determinados estilos, usando como primeira referência o tipo de fermentação, seguidos depois dos tipos de malte e torrefação, da adição de ingredientes extras, do grau de amargor advindos dos lúpulos e sua origem e, se passar por processos diferenciados de maturação e etc., também conta para a classificação do estilo. É por isso que a cada ano o Guia de Estilos cresce.

A gente se vê no próximo post!!! Cheers!!!