O teatro em festa no Rio

Está em cartaz a 6a. Edição do FESTLIP ? Festival de Teatro da Língua Portuguesa ? com apresentações de grupos do Brasil, Portugal, Angola, Moçambique e Cabo Verde, e que esse ano homenageará o encenador português João Mota.

Um dos destaques da programação é a peça ?Um Dia os Réus Serão Vocês?, de Portugal, da Cia. de Teatro Almada, que existe desde 1978 e tem um trabalho de fortalecimento da dramaturgia portuguesa, além de organizarem o Festival de Almada e desenvolverem atividades educativas. A montagem apresenta a defesa que Álvaro Cunhal, uma das mais importantes figuras políticas e intelectuais do século XX português, apresentou no dia de seu julgamento ao Tribunal, que o condenava por acusação feita pela ditadura fascista de Salazar. Com texto de Joaquim Benite, direção e adaptação de Rodrigo Francisco, está na Casa de Cultura Laura Alvim.

[![Grupo de teatro Almada](https://s3.amazonaws.com/static.elefanteverde.com.br/blog/wp-content/uploads/sites/28/2014/08/festlip_almada.jpg)](https://s3.amazonaws.com/static.elefanteverde.com.br/blog/wp-content/uploads/sites/28/2014/08/festlip_almada.jpg)O teatro português estará em cartaz na casa de Cultura Laura Alvim
Outra aposta do FESTLIP é a montagem de  ?A Arte de Ganguissar? do Grupo Mutumbela Gogo, primeiro grupo profissional de teatro de Moçambique. A companhia, fundada em 1986, já circulou por muitos festivais internacionais, e a montagem apresenta um diálogo entre duas mulheres, que falam sobre relações sexuais e sentimentais, trazendo a discussão de que falar de sexo pode ser uma opção social e política que nos permite voltar a ter prazer de viver. Com autoria de Jacopo Fo e direção de Manuela Soeiro, se apresenta no Teatro Ipanema. Também no Teatro Ipanema, pelo FESTLIP, se apresenta o Grupo Cia Trupe Pará Moss, de Cabo Verde, com uma montagem do texto clássico ?A Lição? de Eugène Ionesco. O grupo é conhecido por propostas cênicas inovadoras e novas linguagens, e já percorreram vários países pelo mundo. Com direção de João Branco, a história de um dos mestres do chamado teatro do absurdo conta o embate de um professor que orienta uma aluna acerca de um doutorado em Ciências Exatas e Filosofia, e tem desenrolar e conseqüências surpreendentes. **Augusto Boal no Oi Futuro** Ainda no tema de mescla de nacionalidades, embora esta dica não seja da programação cultural do FESTLIP, está em cartaz no Teatro Oi Futuro Flamengo a peça ?Crônicas de Nuestra América?, uma adaptação para teatro das crônicas que nosso grande dramaturgo e teórico teatral Augusto Boal escreveu em seu exílio na Argentina, entre 1971 e 1976. As crônicas, que foram publicadas no jornal O Pasquim, receberam uma adaptação dramatúrgica de Theotonio de Paiva, e a peça tem direção de Gustavo Guenzburger.
[![Augusto Boal](https://s3.amazonaws.com/static.elefanteverde.com.br/blog/wp-content/uploads/sites/28/2014/08/cronicas.png)](https://s3.amazonaws.com/static.elefanteverde.com.br/blog/wp-content/uploads/sites/28/2014/08/cronicas.png)O teatro Oi Futuro traz a adaptação para o teatro das crônicas de Augusto Boal
O trabalho é baseado em histórias reais ouvidas ou vivenciadas por Augusto Boal na Argentina, e trazem seu olhar irônico e crítico sobre a América Latina da década de 70. Se em 2104 relembramos os 50 anos do golpe militar no Brasil, a montagem apresenta o absurdo que o cidadão comum vivia nas ruas de países governados por ditaduras. A montagem fala de um continente sem projeto coletivo. Tendo como mote o tema do desejo, vê-se a doença do egoísmo e da falta de memória fazendo com que um povo não consiga vislumbrar um caminho. O projeto, que surgiu de um convite de Cecília Boal, viúva do autor falecido em 2009, demorou três anos para virar realidade, e fica até fim de setembro! **Salvador Dali no CCBB** Saindo do universo do teatro, vale a pena conferir a exposição ?A Simbologia nas Obras de Salvador Dalí?, em cartaz do Centro Cultural Banco do Brasil, no Centro do Rio. A exposição traz obras e estudos sobre o lado místico de Salvador Dalí, que aparece de um jeito subliminar em seu trabalho, com forte simbologia e diversos elementos que se repetem e se relacionam com sua vida pessoal. Sendo um apaixonado pelo ocultismo, Dalí reúne muitos elementos mágicos em sua obra surrealista, com simbologia que remete à astrologia, maçonaria, alquimia, e cabala.
[![Salvador Dali](https://s3.amazonaws.com/static.elefanteverde.com.br/blog/wp-content/uploads/sites/28/2014/08/dali.jpg)](https://s3.amazonaws.com/static.elefanteverde.com.br/blog/wp-content/uploads/sites/28/2014/08/dali.jpg)O lado místico de Salvador Dali é apresentado no Centro Cultural Banco do Brasil