FIM DE FÉRIAS

Não demora muito nessa vida para que a gente aprenda que o que é bom dura pouco, ou pelo menos para que a gente se acostume com essa ideia.

Dentro de algumas horas, retomo o meu trabalho, depois de exatos 31 dias de férias , afinal o que é combinado não é caro. Caro não? Mas será que o que é combinado é justo? Explico:

Também dentro de algumas horas terminam as férias do meu filho mais velho, mas dessa vez as aulas recomeçam longe de casa. Ele terá uma outra casa, com outros moradores, outra rua, outro bairro, outra padaria, enfim, tudo diferente da vida que ele tem aqui, ao meu lado e dos irmãos.

Sei que isso também era esperado, não deveria me custar tão caro, como está custando. Quando ele nasceu, careca, sem dentes e chorando a toda hora, eu sabia que um dia ele não seria mais meu. Mas acho que o relógio correu demais, que ele cresceu demais e ficou sabido demais.

Agora deu nisso, se tudo correr bem, dentro de seis anos teremos um engenheiro de produção, até lá os outros dois filhos também vão crescer e aparecer e isso significa que a casa vai ficar ainda mais vazia.

É fato, e contra fato não há argumentos, sendo assim, prometo tentar controlar a minha tristeza, ficar feliz a cada chegada e partida deles aos finais de semana e finalmente entender que a vida é feita de fases, cada uma com sua proposta.

E nessa primeira partida, busco conforto na relação verdadeira de amor e respeito que construí com meus filhos. A casa vai estar sempre aberta e o coração também.