Flúor: mocinho ou vilão?

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Muitas mães de amiguinhos da minha filha têm me questionado acerca do uso de pastas de dentes com flúor, se devem usar ou não, a partir de que idade e quantidade de flúor para cada faixa etária. De fato, o uso de cremes dentais com flúor na primeira infância deve receber atenção por parte dos pais e cuidadores.

Até algum tempo atrás, recomendava-se o uso de pastas sem flúor nos primeiros anos da criança sob risco dos dentes permanentes ?nascerem? com uma alteração chamada fluorose dentária. Essa alteração se refere ao excesso de flúor incorporado aos dentes ainda em desenvolvimento, possibilitado pela ingestão exagerada dessa substância.

Cabe ressaltar que o flúor está presente em certos alimentos (como o peixe) e nas águas de abastecimento dos grandes centros, bem como nos cremes dentais comercializados, o que em doses adequadas, ajuda a conferir resistência e proteção a ossos e dentes. No entanto, ao contrário do que possa parecer, dentes com fluorose não são mais fortes, e sim mais frágeis, podendo causar ao longo do tempo, problemas funcionais e estéticos.

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No mercado, há cremes dentais infantis com doses de flúor específicas para cada faixa etária, reservando-se as pastas sem flúor para aplicação nos primeiros meses de vida, as com 500 ppm de flúor até os 2 anos de idade, com 1000 ppm para os pequenos de 2 a 5 anos e cremes dentais convencionais, com 1450 ppm, que podem ser utilizados a partir dos 5 anos de idade, momento em que começam a irromper os primeiros dentes permanentes na criança (o ?molar dos 6 anos?).

Porém, atualmente, a Associação Brasileira de Odontologia (ABO) e a Associação Brasileira de Promoção da Saúde Bucal (ABOPREV), recomendam o uso de cremes dentais fluoretados contendo 1000 ppm de flúor, duas vezes ao dia, como coadjuvante da limpeza de todas as crianças, independente da idade. Enquanto a criança não tiver condições de se autocuidar, o uso da pasta de dente com flúor é de responsabilidade dos pais ou cuidadores, garantindo assim maior segurança quanto a fluorose.

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A discussão sobre riscos de fluorose dentária está fundamentada nas doses superestimadas de ingestão de flúor e não no flúor ingerido e absorvido de fato. Embora crianças ingiram involuntariamente certa quantidade de creme dental toda vez que escovam os dentes, a fluorose dentária decorrente observada, de acordo com último levantamento de saúde bucal (SB010), é de grau muito leve a leve, o que não interfere na qualidade de vida dos indivíduos (Chankanka et al., 2010). Pastas de dentes com baixa concentração de flúor (menor que 1000 ppm) independente da formulação, além de não prevenir fluorose, não tem mesmo efeito anticárie de um de concentração convencional de 1000-1500 ppm, que seja em dentes de leite ou permanentes (Santos et al., 2013).

Entretanto, muita atenção deve ser dada a quantidade de pasta a ser usada, principalmente para menores de 2 anos de idade. Nesses casos, utiliza-se somente uma quantidade do tamanho de um ?grão de arroz?, somente sujando a escova. Por isso, para uso em creches e escolas recomendo que pais e responsáveis enviem pastas sem flúor, já que são muitas crianças e os cuidadores não têm como ter controle da ingestão de pasta pelos pequenos.

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Como dica, é importante que pais e responsáveis façam um ritual familiar regular para a higiene bucal de seus filhos. É importante orientar e auxiliar os
pequenos durante a escovação, bem como com a pasta de dente a ser utilizada. Ao comprar um creme dental leia o rótulo. No item composição há sempre a quantidade de flúor incorporada à pasta.

Fique de olho!!!