Tecnologia Moderna

A tecnologia que escraviza o homem moderno

Sabe aquele seu amigo que não sai do facebook e que vive cercado por inúmeras tecnologias? Que já dorme pensando na próxima mensagem da sua namorada pelo whatsapp? Quem não tem tempo nem para o seu amigo mais próximo? Pois é, essa aparente inversão de domínio das máquinas sobre o homem pode ser explicado de uma maneira bem legal pela filosofia.

Um pouco de história?

A partir da época moderna, ou seja, lá pelo sec. XVI; existiu uma nova percepção de como seria o mundo para o homem moderno. Diferente da época medieval, a ideologia moderna propunha que a humanidade deveria dominar a natureza e sair do velho ?obscurantismo? ditado pelos sacramentos dos padres e da igreja.

É o que chamamos na história de: revolução antropocêntrica; ou seja, o homem, a partir desses séculos, acaba querendo ser ?o centro do mundo?.

Vejamos o que diz os filósofos Adorno e Horkheimer sobre essa época de domínio e poder a partir do conhecimento humano: ?O que os homens querem aprender da natureza é como empregá-la para dominar ela e aos homens. Nada mais importa?. (Adorno, Horheimer, 2006 p. 18).

Outro historiador da filosofia chamado Alan Touraine, em seu livro: Crítica da Modernidade ainda vai mais longe sobre as características do nosso tempo: ?O esgotamento da modernidade transforma-se com rapidez em sentimento angustiante do sem- sentido de uma ação que não aceita outros critérios que os da racionalidade instrumental?. ( Touraine, 2006, p. 101).

Dito de maneira mais simples: sabe ainda aquele seu amigo que possui 5000 pessoas no facebook, dois milhões de seguidores no Twitter e ainda paga quinhentos reais em terapia por sofrer de solidão e de depressão? Pois é; esse é o preço da razão técnica, da tecnologia e do culto a nossa tão adorada ciência.

Ela acaba unindo os mais distantes e separando aqueles que estão mais perto.
O homem, dentro da nossa época, em volta de tanta tecnológica percebesse-se como um ser angustiado; ou dito de uma maneira mais Weberiana: compreende que o mundo está ?desencantado?.
O próprio escritor Aldous Huxley em seu clássico livro: Admirável Mundo Novo dizia: ?O amor da escravidão não se pode estabelecer senão como resultado de uma revolução profunda e pessoal nas mentes e nos corpos humanos? *( Huxley,1980 p. 20). *
Ou seja, a nossa escravidão e submissão a ciência está em praticamente tudo. Não é a toa que a exagerada exposição em redes sociais, por exemplo, pode ocasionar inúmeras barbáries sociais.

Mais nem tudo pode ser tão pessimista, ora!

É claro que não podemos somente culpar as máquinas e a tecnologia. Pois elas são criações nossas! Alias, estou escrevendo através de um recurso tecnológico que me dá ?voz? e que é muito útil para a disseminação de ideias.
Não devemos parar de utilizar a tecnologia. Porém, é necessário que o seu uso seja coerente e inteligente.

Talvez, você caro leitor, possa ter se identificado quanto a esse típico estereótipo do homem moderno: ou seja, aquele que se sente vazio ao redor de uma multidão.
Por isso, aqui vai uma máxima filosófica autoritária: acabe de ler esse texto, desligue o seu computador e procure aquele amigo (a) e tente viver além desse próprio ?desencantamento? do mundo. Saia da mesmice!
É sempre bom recomeçar a viver de maneira real através das amizades. Elas são a única saída para a nossa vida tecnológica marcada por uma imensa mediocridade.
Para comprovar esse meu argumento sobre as amizades, cito uma das mais belas e conhecidas frases do célebre filósofo Montaigne tirada do seu ensaio sobre a amizade: ?O ultimo extremo da perfeição reside na amizade? (Montaigne, 1980, Ensaios, p. 47).

Bom, se amizade é isso tudo. Que tal dar um tempo maior a ela?

 
Referências: Dialética do esclarecimento: Adorno e Horkheimer. 2006. Editora Zahar.
Crítica da Modernidade. Alain Touraine. 1995. Editora. Petrópolis. *
*Os ensaios. Montaigne. 1980. Editora Abril. *
*Admirável Mundo Novo. Aldous Huxley. 1980. Editora: Globo.