Houve uma época em que o Kiko famoso era o Zambianchi

Mais um pequeno grande disco completa uma data importante em 2015. Em 1985 Kiko Zambianchi estava na crista da onda. Dropando com tranquilidade em um mar repleto de tubarões, o rapaz de 24 anos vindo do interior de São Paulo emplacava um hit após o outro depois da estreia de Rolam As Pedras. Serginho Leite, que também era uma sumidade como um dos principais comunicadores de FM do Brasil à época, extremamente exigente com relação à música feita nos 80, músico profissional e amante do samba de raiz e do choro dizia que Kiko era uma esperança, em meio a tanta coisa mais ou menos. E, realmente, Choque, o disco, era impressionante, por se tratar da estreia de um carinha que, vindo de Ribeirão Preto e longe das conexões e do background de quem viveu no exterior como Paulo Ricardo, Renato Russo e a galera de Brasília, conseguia mesmo assim aliar rocks modernos, com a emergência do punk como em No Meio da Rua ou Jony ou trazendo um pop suave na hoje datada Júlia, que falava da possibilidade de uma hecatombe nuclear, como fez Sting ao mesmo tempo em Russians. Contemporâneo e alinhado com o que se fazia de melhor no pop do mundo à época, Kiko mostrava vitalidade. Prometia. Marina Lima não tardou a reconhecer o talento e pedir uma música para que ela gravasse. Veio Eu Te Amo Você. Mas o segundo disco passou longe do primeiro, e até hoje Kiko Zambianchi é lembrado por hits como Choque, Rolam As Pedras ou Primeiros Erros (Chove), que deram a este álbum a condição de um dos maiores -e inesperados- sucessos da EMI em 1985. Tanto é verdade que a produção que faltou em Choque sobrou no ano seguinte, e Quadro Vivo, seu sucessor, se perdeu em meio ao luxo. Kiko Zambianchi perdeu a mão, a cabeça (Ricardo Alexandre, em seu Dias De Luta, narra as rodadas de pôquer em meio ao pó que Kiko travava com Paulo Ricardo no apartamento de Marcelo Rubens Paiva) e a namorada Carolina Ferraz, além da música. O fundo do poço foi a gravação de Hey Jude, em 1989. Kiko Zambianchi nunca mais conseguiria repetir a mágica operada trinta anos atrás.