Imparcial, eu?

Dia desses recebi um convite que fez pulsar de novo uma veia que andava bastante adormecida? Morta, eu pensava.

E lá fui eu numa terça chuvosa conversar com alunos de jornalismo da Universidade Braz Cubas, em Mogi das Cruzes. No caminho me lembrei dos anos como professora universitária, me lembrei de como os alunos de Comunicação são curiosos e questionadores. São o teste maior de um profissional da área. Ser reprovada por eles é terrível!

Claro que tentei me preparar, para mais um prova! Li as manchetes do jornal, li as principais notícias dos portais da internet, me informei quanto ao sindicato da nossa categoria? Só não me preparei para deixar de ser eu mesma!

Eu que quase aos 40 anos de vida e perto dos 20 de formada tenho uma postura muito diferente dos meus tempos de professora universitária.

Dizem que quando ficamos mais velhos, os defeitos se acentuam? Parece que é verdade.

Imagine você, que antes da palestra começar, dei uma entrevista para um aluno. Entre as perguntas ele quis saber: ?O que falta para o jornalista de hoje em dia?? Respondi assim: ?Leitura de inspiração! ?

Imagino que ele gostaria de me ouvir dizer: Falta uma pós na Espanha, falta falar três idiomas diferentes, destaque para o mandarim, falta morar fora do país na adolescência, falta ter passado na USP!

E disse insolentemente: falta leitura de inspiração.

Fui nessa palestra, exatamente o que sou. Uma mulher que tem lado. Que tem time de futebol, que tem preferência por uma ideologia política, que tem religião, que tem panela (grupo de amigos), que brigou na rua, que desobedeceu o pai, que esqueceu o dever de casa. Que já negligenciou o cuidado com um filho em nome do trabalho.

E foi bom? Foi bom não ser a senhora imparcial.  Exercito diariamente minha obrigação de ser imparcial, porque na verdade a minha profissão precisa disso. Isso é o correto, esse é o meu objetivo.

Porém, minha profissão, só virou minha grande paixão, porque pude imprimir nela, minha história, minha vivência, meus sofrimentos e alegrias. Sei que isso fez a diferença na minha caminhada. Só quem vive aprende e pode ensinar de vez em quando. Por isso reafirmo o que disse diante daquela plateia, a teoria é importante, mas não troquem a vida de jornalista por nada em tempo algum: Rua, fora, seu lugar é onde a notícia está! Eu sempre estive lá!