Imperator, no Méier, é o point cultural da Zona Norte

Tudo começou em 1954, na era dourada do cinema, quando foi aberto um Cine majestoso, capaz de receber um público de cerca de 2.400 pessoas. O nome também tinha a ver com o estilo monárquico: Imperator.

Afinal, não era para menos, o Imperator passou a ser o maior cinema da América Latina, com uma enorme tela de exibição e cadeiras confortáveis, dispostas num piso angular, capaz de permitir boa visão de qualquer parte do ambiente.
Por ali foram exibidos filmes históricos, desde o suspense Um Corpo que cai, de Alfred Hitchcock, passando pela ficção científica de 2001, uma Odisseia (ainda com acento agudo) no Espaço, de Stanley Kubrick, o drama O Poderoso Chefão, de F. F. Coppola até o blockbuster E.T., o Extraterrestre, de Steven Spielberg.

Mas, durante essas três décadas o Rio de janeiro mudou e os cinemas de rua passaram a sucumbir. Os shoppings centers começaram a ter salas de cinema, menores, com todas as facilidades, como estacionamento e lanchonetes, tudo no mesmo ambiente, que levou ao fechamento das grandes salas de exibição. Era o progresso cobrando seu preço.

O Cine Imperator fechou suas portas em 1986. Eu senti muito, pois assisti aos primeiros filmes da minha adolescência lá. Lembro-me de entrar, com 14 anos, todo pomposo, na estreia de O Exterminador do Futuro (de censura 16 anos!), pela porta adentro do Imperator.

Foram cinco anos de portas fechadas até o ano de 1995, quando o Imperator reabriu, em grande estilo, como casa de shows. A estrela da noite veio direto da Broadway: a hollywoodiana cantora e atriz Shirley McLaine.
Depois de Miss McLaine, passou foi gente famosa pelo palco do Imperator: Bob Dylan, Tina Turner, Caetano Veloso e o rei Roberto Carlos deram a cara por lá, fazendo vir gente de todos os cantos da cidade para o centro da Zona Norte.

Mas o encanto também passou, principalmente porque o Méier não conseguia resolver problemas como os engarrafamentos nos dias de show, a falta de estacionamento e também de boas opções de bares e restaurantes próximos ao Imperator. Em 1996, novo fechamento de portas.

Aí veio, alguns anos depois, o Centro Comercial, pequenos empresários começaram a utilizar a entrada do Imperator para colocarem ali seus quiosques. Um momento menos glamouroso daquele que fora o maior cine da América Latina, naquela época ajudando microempresários locais a buscar seus sonhos.

Mas tudo começou a mudar para o Imperator quando a Prefeitura do Rio decidiu revitalizar o bairro e o prédio, transformando o local no centro Cultural joão Nogueira, um sambista do Méier, que ficou conhecido por letras e músicas belíssimos que marcaram a história do samba brasileiro.

O Centro Cultural hoje tem quatro andares. No térreo, funciona um teatro com a plateia de arquibancadas retráteis, que transforma em pouco tempo a área numa grande pista para shows que tenham um público mais agitado. Ali também se encontram as bilheterias para o teatro e o cinema e um bistrô.
No segundo andar, fica a sala de exposições, onde são exibidos os mais diversos tipos de artes: esculturas, exposições multimídia, pintura e artes urbanas, entre outros.

Já no terceiro andar ficam os cinemas, batizados de Cine Carioca Méier.
Três salas modernas, em formato Stadium, com bom isolamento acústico e o total de 394 lugares. Foi o renascimento da exibição de filmes no bairro, que já teve cinco cinemas e viu todos fecharem.
O quarto andar é o do Espaço Alto Méier, um ambiente aberto, com jardim e área de recreação infantil, onde são oferecidas aulas de tai chi chuan para a comunidade e outros eventos abertos.
Hoje, o Centro Cultural João Nogueira ainda é, para todos, o Imperator. Mas agora com muito mais atrações, capazes de trazer ao Méier e a Zona Norte um frescor cultural que há muito não se via no bairro.

E nós, do Elefante Verde Méier, estamos muito felizes de poder contar pra você e passar a oferecer aqui, toda semana, as principais atrações do Imperator.

Acompanhe a gente. E também o Imperator!!!