Jogando nas onze

Roberto Vieira - da locução ao treinamento de locutoresRoberto Vieira – da locução ao treinamento de locutores

Estou completando 20 anos desde que ganhei meu primeiro cachê como locutor, fazendo um comercial para a Casa das Alianças.E tenho de admitir: apenas a partir do momento que passei a dar aulas de locução, em 2012, é que passei a compreender com maior amplitude como um ouvinte encara nosso trabalho.

Os alunos de cada uma das dez turmas que passaram pelos estúdios da Univali FM me treinaram para isso, com suas dúvidas, experiências pessoais e anseios.

Em cada locutor vive um ouvinte, mas no meu caso houve uma ruptura: minha formação de ouvinte, com os locutores que brilhavam nas FMs dos anos 1980, acabou sendo sobreposta pela de publicitário, que trabalha com o rádio como um dos veículos possíveis para a transformação de sua mensagem em vendas junto ao público consumidor.

O Tá Ligado, programa que comando desde 2007, foi um presente: com ele, aprendi a me inserir em cada peça da engrenagem de uma emissora. Devo a oportunidade a Alberto Russi e Liza Lopes Corrêa, que confiaram na minha capacidade de tatear as possibilidades, produzir, criar vinhetas, chamadas, experimentar, usar minha paleta vocal e investir na irreverência.

A Univali FM representou para mim o campo aberto que as emissoras universitárias costumam ser para os talentos que saem das faculdades com ânsia de colocar em prática novos formatos. E pude, sempre, sugerir, expor, realizar projetos. Talvez até por isso, poucos ouvintes imaginam que, quando o programa começa, logo após o jornal, o quadro de flashbacks (o Jukebox), tem a programação inserida pelo apresentador; que o Double Shot traz um lançamento pesquisado pelo mesmo locutor que o apresenta; que as notícias engraçadinhas são captadas e editadas ao vivo, e mesmo as edições especiais, quando um acontecimento merece a mudança do formato do programa.

Quando a morte de Michael Jackson chocou o planeta, o Tá Ligado foi virado de cabeça para baixo, e nem poderia ser diferente. O ouvinte quer que seu programa de todos os dias informe, analise, toque e se posicione sobre a trajetória de um astro a que ninguém passou incólume.

Hoje apresento o Tá Ligado, o Mondo Pop 80, e além de produzir os dois programas, ainda produzo o Sonzinho, que é o mascote da turma e um dos projetos que mais me realizou.

Conduzindo os cursos de locução, passei a me preparar ainda mais para preencher as expectativas de quem quer aprender a ser locutor. E professores aprendem a todo dia, ao estudar e estudar os alunos. É uma escola para todos. Em um universo mágico, que é o rádio. E nem falei das experiências como mestre de cerimônias. Fica para outra coluna.