Mais uma competição sem times de Niterói

Começou o Campeonato Carioca de Futebol. Flamengo e Botafogo já anunciaram que vão priorizar a Libertadores. O Fluminense passa por período de reformulação após ser salvo do rebaixamento graças à lambança da Portuguesa na escalação irregular de um jogador reserva. O Vasco será palco de verdadeira guerra eleitoral, no ano em que disputará a segunda divisão nacional.

Coloque tudo isso no liquidificador, adicione 12 times pequenos sem o mínimo de qualidade técnica em seu plantel, e está pronto o que promete ser, justamente no ano da Copa do Mundo, o pior campeonato estadual de todos os tempos.

jogotreinoJogo treino entre Cabofriense e Paduano, duas ?forças? do Estadual

Mesmo neste cenário, e considerando ainda a série B desta competição, com 20 clubes, e mais a série C, com 36 equipes, Niterói não tem sequer um apanhado de pernas de pau para representar a Cidade em um campeonato estadual de futebol com espantosos 72 times, considerando as três divisões. Enquanto isso, a vizinha São Gonçalo terá quatro representantes.

Local que já produziu craques (nascidos ou revelados para o esporte) como Didi, o canhotinha de ouro Gérson, Zizinho, e mais recentemente Edmundo e Leonardo, entre outros, Niterói é hoje a segunda maior cidade do país sem ao menos um clube ativo em competições estaduais, ficando atrás apenas de Contagem, em Minas Gerais.

Campeão por onde passou, Gérson iniciou no Canto do RioCampeão por onde passou, Gérson iniciou no Canto do Rio

O futebol de Niterói ganhou expressão nacional na década de 50 e 60, quando o Manufatora, que substituiu o tradicional Byron em 1950 e foi campeão fluminense de 1958, teve o direito de jogar a Taça Brasil de 1959, considerada a primeira edição do Campeonato Brasileiro. O Fonseca disputou as edições de 1960, 1961 e 1963, enquanto a Eletrovapo jogou em 1965.

Nas décadas seguintes o futebol local entrou em decadência, e em 1983 o Manufatora fechou as portas, já depois que os tradicionais Barreto, Ypiranga, Fluminense e Fonseca fizeram o mesmo. O Canto do Rio, mais conhecido dos clubes niteroienses, também deixou o futebol depois de jogar diversos estaduais contra os clubes grandes. E assim o futebol de Niterói foi minguando, até que em 1998 o Cruzeiro fez a última participação de um time de Niterói em um campeonato profissional.

São 16 anos de ostracismo total e nenhuma perspectiva de retomada. Atualmente, o centenário Canto do Rio é o único clube de Niterói filiado à Federação de Futebol do Rio de Janeiro, mas está licenciado e não há qualquer movimento no clube no sentido de formar um time profissional de futebol, mesmo para as peladas da Série C do Estadual.

Conhecido como ?O mais querido da Cidade Sorriso?, o Canto do Rio tem certa tradição, e a simpatia de niteroienses e cariocas. Merecia um projeto de futebol profissional, mesmo que por iniciativa de empresários de jogadores ou da própria Prefeitura, com algum tipo de acordo de utilização da marca do clube.

Canto do Rio de 1947, com Oldack, Odair, Lengruber, Carango, Sodré e Joel. Agachados: Heitor, Waldemar,Raimundo,Quincas e Dionisio.Canto do Rio de 1947, com Oldack, Odair, Lengruber, Carango, Sodré e Joel. Agachados: Heitor, Waldemar,Raimundo,Quincas e Dionisio.

Quem sabe assim, um dia, poderemos ver as cores da camisa de um time de Niterói, ao invés de desbotados retratos preto e branco tirados do fundo de um baú?