Mama África

Durante mais de 300 anos o Brasil viu uma mancha em sua história. Uma mancha rubro-negra do sangue dos africanos escravizados por aqui.

O modo de produção do açúcar, a mineração dos metais e pedras preciosas, o café e o deleite do senhores de escravos foram engrenagens de um motor que impulsionou a expansão de uma das maiores atividades comerciais de todos os tempos: o tráfico negreiro.

Assim, como hoje em dia, o tráfico de entorpecentes se destaca como uma das maiores feridas sociais no país e durante mais 2/3 de nossa história a escravidão se destacou como a maior das mazelas de nossa sociedade.

INFELIZMENTE em pleno século XXI, mais de 120 anos depois da Redentora Princesa Isabel ter abolido a escravidão com apenas duas frases na Lei Áurea, ainda convivemos com eventos de racismo e discriminação. Prova de como não conseguimos aprender com o nosso passado, com os nossos heróis nacionais e com a nossa própria desumanidade.

Imagem: Brasil EscolaAbolição da Escravatura – Imagem: Brasil Escola Mas, se quilombos e as revoltas contrárias ao modelo escravagista não conseguiram superar a ganância dos novos donos das terras brasileiras, o processo de acomodação da cultura africana venceu e se firmou no Brasil, e é hoje inegável que os negros são uma parte viva de nossa cultura e de nossa vida cotidiana.

Nossa música, nossa dança, nosso modo de ser, nossa língua portuguesa brasileira, nosso folclore, nossas tradições religiosas e nossa culinária são a força viva da presença daqueles que atravessaram o Atlântico para de forma sofrida, construir nosso Brasil.

Nem é preciso ir a Bahia para saborear o tempero africano no Brasil. Aqui mesmo nas Minas Gerais, o paladar africano pode ser sentido em muitas receitas tipicamente nossas. Companheiro da nossa mesa, o angú que é sempre associado à culinária do nosso sertão, tem origem 100% africana.

Imagem: SegundasAngú – Imagem: Segundas O quindim "Saiba como fazer - Clique Aqui!"), que pode ser encontrado em toda confeitaria, sendo sempre associado às doceiras do interior de Minas, é uma iguaria surgida dos africanos.

Imagem: Delícias Millane DocesQuindim – Imagem: Delícias Millane Doces O aluá, feito com a casca do abacaxi, tem a origem nas senzalas.

Imagem: Comidas do Norte](https://s3.amazonaws.com/static.elefanteverde.com.br/blog/wp-content/uploads/sites/36/2015/02/Comidas-do-Norte.jpg)Aluá – Imagem: Comidas do Norte Além da brasileiríssima feijoada, outro quitute que nem nos damos conta que vem da sabedoria dos negros é o frango ao molho pardo, ou galinha a cabidela, como possam preferir. O prato, segundo constam, nasceu em uma fazenda na Zona da Mata mineira. Uma senhora certa vez quis intimidar os escravos, e ao matar uma galinha, jogou em uma gamela as partes menos nobres como pés, pescoço e asas. Mas, afim de achacar os escravos, jogou o sangue em cima e deu para que eles comessem. Surgia ai, um dos pratos mais famosos da nossa comida.