Minha avó já dizia!

Aprendi muito cedo que a voz do povo é a voz de Deus.  A cada ditado popular, uma teoria irrefutável. Em alguns casos esses ?ditos? pareciam uma profecia, uma maldição. Mas na verdade, era só a sabedoria popular, a experiência repartida com quem nada, ou muito pouco experimentou dessa vida.

Agradeço, por todos que ouvi e entendi! Minha avó paterna, me dizia, a folha não cai longe da árvore. Na época, aos sete ou oito anos, não entendia que ela queria dizer que eu tinha atitudes muito parecidas com as de meu pai. Ele a árvore, eu a folha! Hoje vejo que ela estava coberta de razão!

Além dos ditados existem as crendices populares, que como diria a minha mãe: ?Mal não faz?.

Nada de manga com leite, nadar com a barriga cheia também não, colocar a cama virada para a porta da rua de jeito nenhum, usar calcinha azul claro no casamento sim! Pegar o buquê sim também?

E assim, seguimos costumes que em algum momento da vida vamos nos perguntar, isso faz sentido pra mim?

Dia desses precisava da chave do carro e não encontrava de jeito nenhum. Pedi a São Longuinho e a tal chave apareceu no instante seguinte. Claro que dei os três pulinhos! Minha filha falou assim: Que gracinha ela dando pulinhos. Respondi: Tô fazendo a minha parte.

Veio então a pergunta: Que sentido isso faz pra mim? Todo! Afinal, aprendi no berço, na família que me criou e me passou valores que me guiam! Aprendi com quem me ama, com que já viveu mais do que eu, aprendi com a vida!  Deus me livre de não ter fé, o pouco com Deus é muito! Minha avó  já dizia!