Muito prazer, meu nome é Marilucy, pode me chamar de Dory!

Sim! Tenho esse codinome! Sou a alma gêmea dessa simpática peixinha, a mais esquecida, distraída, sem noção, moradora do fundo do mar! A diferença entre nós é que no meu caso, estou na parte seca do globo terrestre e não respiro embaixo d?água!

Justifico! Imagine você, estava eu de folga no feriadão, viajo para Guaratinguetá, deixo a chave de casa na fechadura, pelo lado de fora, bem a vista de qualquer um! Sorte que tranquei o cadeado do portão.

Sorte de quem, Senhor? Qualquer ladrão estouraria o cadeado, certo? Mas o chaveirinho parece não ter chamado a atenção de ninguém? Na volta, quatro dias depois? Com o carro de frente para o portão, chuva que Deus mandava, descubro que a chave não estava comigo e sim balançando na porta, pelo lado de fora! Não dava pra pular o muro, estava tudo muito molhado e seria perigoso demais.

Fiz o quê? Chamei o meu vizinho Marco. Esse deve ter feito várias promessas pra Santo Antônio pra que eu me case logo e dê sossego pra ele!  Mas, não foi dessa vez? Lá veio ele, com guarda-chuva e martelo na mão! Foram 15 minutos, milhões de batidas até que o maldito do cadeado cedeu! Meu vizinho ficou encharcado e ainda sorriu pra mim, como quem me diz você me paga! Não sei o que seria de mim sem esse homem. O Marco já me socorreu de tudo e de todos, são dez anos de vizinhança e uma dívida impagável!

Graças a Deus meu esquecimento acabou em pizza, desta vez de alho com tomate e catupiry!

Esse é um exemplo, mínimo exemplo da minha tal cabeça de vento? Virei referência? Se alguém esquece algo no trabalho? Já ganha o meu sobrenome, meu gasto com gasolina é imenso de tanto ir e vir, multas também me fazem lembrar como custa caro? Cabeça não pensa o bolso padece! E já tentaram me convencer de que sou assim porque tenho uma vida muito agitada? Seria um bom consolo? Mas tenho que ser sincera, nasci assim, nem sei quantas vezes fui para o clube sem toalha, quantas mochilas de escola ficaram na sorveteria, quantas sombrinhas deixei, quantas vezes tive de ligar pra descobrir quem havia encontrado o meu celular, sobre a chave do carro me recuso a falar! Sendo assim, me dou como caso perdido e uma pessoa que representa alto risco pra si mesma e toda a sociedade?

Prazer Dory!

Bj

Mari