Nelson 70

Nelson Motta INesta quarta-feira, Nelson Motta faz 70 anos. Como vocês sabem, ou já devem ter percebido, a cada vez mais o limite da produção humana desconhece os impedimentos que eram impostos pela idade. Por isso, posso perfeitamente dizer, como se faz quando somos crianças, que Nelsinho, como os amigos o chamam, ou Nelsomotta, como Tim Maia o fazia, é quem eu quero ser quando crescer. E sei que não é nada fácil.

Nelson Motta foi favorecido pela sorte de estar no lugar certo, na hora certa, e com a idade certa. Por volta dos vinte anos, sua família tinha entre suas relações gente do quilate de Tom Jobim, Vinícius de Moraes, e os Caymmi. Natural seria que, em pleno estouro da Bossa Nova, que o jovem torcedor do Fluminense se engajasse na música, já que para o futebol não tinha dado.

Compôs Saveiros (ganhadora da fase nacional do Festival Internacional da Canção de 1966) e O Cantador para festivais de música, na companhia de Dori Caymmi. Jornalista autodidata tornou-se uma referência na questão de música jovem, abordando o incipiente rock brasileiro e o momento extraordinário do rock internacional no início dos anos 70 em participações no Jornal Hoje que inspiraram toda uma geração. Produziu –e desposou- Elis Regina. Não contente, adicionou a si uma outra persona: a de empreendedor, ao inaugurar casas noturnas que mudaram a cara do Rio de Janeiro como a Dancin´ Days. Ou peitar as dificuldades e promover festivais de rock lendários reunindo Raul, Erasmo, Rita e outros nomes do rock que ainda passavam longe do poder midiático de hoje.

Era pouco: Nelson passou a descobrir novos talentos como as Frenéticas e ainda a impulsionar, no começo dos anos 1980, o chamado BRock. Compôs para Rádio Táxi, realizou parcerias com Lulu Santos, Guilherme Arantes e Djavan, com grande sucesso. Quer mais? Revelou Marisa Monte, cantando na noite de Veneza.

Nelson Motta ainda é um dos responsáveis por aquela canção de ano-novo que todo o Brasil conhece e que a Globo continua a utilizar, quatro décadas depois de ser criada. Por tudo isso, minha homenagem ao cara que escreveu a biografia mais divertida que já li até hoje. Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia. Melhor ainda é ouvir, em áudio-book, na voz de Nelson, imitando com perfeição o vozeirão de Tim, com seus trejeitos típicos. Que virou filme, chegando agora aos cinemas.

Jornalista, escritor, compositor, produtor, colunista, entre outras facetas. Apenas um projeto multimídia poderia homenageá-lo a contento: Nelson 70 traz um especial exibido pelo Canal Brasil e um CD com suas canções sendo relidas por nomes como Ed Motta, Djavan, Fernanda Takai, Guilherme Arantes, Jorge Drexler, Lenine,  Lulu Santos, Marisa Monte e outros.

Minha modesta contribuição vem na forma desta coluna. Sou fã.