Niterói no UFC

Foi um banho de sangue! Niterói voltou ao palco do maior evento de MMA do mundo em grande estilo, pelas mãos do faixa preta em Jiu-Jitsu brasileiro, Thales Leites. Nesta madrugada de sábado (02/08) para domingo, enquanto todos esperavam a vitória do campeão José Aldo contra o Zumbi Coreano, o atleta niteroiense de 31 anos entrou no octógono do UFC 163 para travar um combate emocionante contra o casca-grossa Tom Watson, inglês que possui vitórias contra lutadores do porte de John Maguire, Murilo Rua e Stanislav Nedkov.

O niteroiense entrou com tudo na luta, conseguiu imprimir seu jogo desde o início do combate, e por várias vezes esteve perto da finalização, mas a técnica apurada do inglês impediu que a luta tivesse um desfecho mais rápido. Ao final dos três rounds, com os dois atletas exaustos e castigados pelos golpes que tornaram esta a disputa mais sangrenta da noite, os juízes confirmaram a vitória unânime de Thales Leites.

Thales Leites e Tom Watson fizeram a luta mais sangrenta do UFCThales Leites e Tom Watson fizeram a luta mais sangrenta do UFC

O atleta de Niterói que já disputou o título dos médios do UFC com Anderson Silva tem agora a chance de reescrever sua história. Na estrada desde 2003, quando finalizou Felipe Arinelli no Shooto realizado no final daquele ano em Niterói, Thales Leites havia passado o rodo em nove lutadores, na seqüencia, em eventos no Brasil, Estados Unidos e Japão, até ser chamado para lutar na principal liga de MMA no mundo.

Na aguardada estréia do UFC, porém, foi derrotado, em decisão unânime dos juízes, para o dinamarquês Martin Kampmann. O tropeço em Las Vegas logo foi superado, com uma seqüencia de cinco vitórias, que o colocou na rota de Anderson Silva em mais uma de suas defesas do cinturão dos médios.

Os críticos diziam que faltava ao lutador niteroiense vitórias contra nomes de peso do esporte, além da vitória por decisão dividida em cima do ex-campeão do Strikeforce Nate Marquardt no UFC 85, realizado em Londres, quando o americano ainda perdeu dois pontos durante a luta. Mesmo assim a disputa do título pertencente na época a Anderson Silva foi marcada, para o UFC 97.

Até aquele dia, ninguém na história do UFC havia permanecido até o final dos cinco rounds em luta contra o então campeão Anderson Silva. Thales Leites conseguiu, mas a decisão dos juízes foi acertadamente a favor do dono do cinturão. Só que este feito de pouco valeu. Naquele 18 de abril de 2009, na arena de Montreal em que ocorreu a disputa, nem os educados canadenses se seguraram, e em vários momentos da luta, talvez na maior parte dela, vaiaram os competidores.

Thales Leites e Anderson Silva disputaram o cinturão dos médios em 2009Thales Leites e Anderson Silva disputaram o cinturão dos médios em 2009

Thales estava utilizando a estratégia que lhe cabia, de evitar a trocação e tentar puxar Anderson para a guarda. O Spider, por sua vez, ao invés de procurar a luta, reclamava e demonstrava estar entediado depois de algumas tentativas sem muito ímpeto de acertar o desafiante. Nos dois últimos rounds, o ?Aranha? começou a dançar e a baixar a guarda (em postura semelhante a que anos mais tarde lhe custaria o cinturão), provocando Thales para que fosse para cima, mas o niteroiense não caiu em sua teia.

Ao final da luta, o todo-poderoso do UFC, Dana White, foi a público dizer que estava ?envergonhado? pelo que havia ocorrido ali, direcionando sua raiva ao campeão. A imagem de Thales Leites com o patrão também sairia arranhada daquele evento, e a derrota quatro meses depois, por decisão dividida contra o italiano Alessio Sakara no UFC 101, em outra luta vaiada por falta de combatividade, custou o emprego do atleta de Niterói.

Fora do maior evento de MMA do mundo, Thales Leites voltou a lutar ainda em 2009 e, depois, mais quatro vezes em 2010. Duas cirurgias nos dois anos seguintes, uma no joelho esquerdo e outra no direito, reduziram o ritmo de lutas do atleta de Niterói, que esteve no octógono apenas duas vezes neste período. Nesta fase em que ficou fora do UFC, venceu seis lutas e perdeu apenas uma, contra o americano Matt Horwich, sua primeira derrota por finalização na carreira. Na revanche, porém, vitória do brasileiro representante da arte suave, também por finalização, em março de 2012, no que foi sua última luta antes de voltar ao UFC.

Com um cartel de 21 vitórias e 4 derrotas, Thales Leites mostrou em seu retorno ao UFC, contra Tom Watson, que ainda tem muita lenha para queimar, e que está recuperado dos problemas nos joelhos. Vontade e talento para um voo mais alto dentro da organização estão sobrando, e treinando na Nova União de Dedé Pederneiras, com José Aldo e outras feras do esporte, não faltarão oportunidades para que ele continue a encher Niterói de orgulho.