No meu tempo...

Cresci aprendendo que tudo tem o seu tempo. Que o tempo é o melhor remédio. Que há tempo para tudo? Mas, conforme o tempo passa me sinto mais sem tempo.

Recuso-me a acreditar que o dia, hoje em dia, tenha de fato 24 horas. Que as horas tenham 60 minutos e assim por diante.  Acordo assustada, na hora das refeições, me alimento, como quem rouba, fazer listas é minha opção para ganhar tempo.

Então pensei? Como era bom quando eu tinha tempo. Quando estudar pela manhã, me permitia almoçar em casa, contando tudo o que havia acontecido na escola, fazer a tarefa, ir à educação física, ao clube e as aulas de jazz e ginástica olímpica. Em casa víamos novela com longos intervalos, o sono era profundo e restaurador.

Pensando em como era possível e me lembrei da minha avó Cecy. Lembrei-me de que no tempo dela que por um tempo foi o meu, ela presenteava as pessoas com ?cortes de tecido?.

Quem recebia a prenda, adorava. Mas era preciso tempo, tempo para folhear as revistas cheias de moldes em papel jornal, depois era preciso paciência e sorte para encontrar horário na agenda de uma costureira, que com todo o tempo do mundo, checava as nossa medidas com uma fita métrica, sem falar nas provas da roupa, a escolha dos botões e o grande dia da entrega. A roupa vinha envolta num papel tipo Kraft! Quase posso sentir o cheiro, daquele tempo, em que a gente tinha tempo? Lembre-se: O tempo não volta, que o tempo seja um presente e não apenas algo do passado!