Nomofobia

No último sábado fui a uma festa de aniversário. Sobre a mesa que eu dividia com os meus amigos, diversos celulares espalhados. Daí eu comecei a pensar como isso se tornou um hábito já há alguns meses: as pessoas não conseguem mais ficar longe de seus aparelhos.

Tentei me lembrar da época em que não éramos tão dependentes da tecnologia. Hoje em dia, um celular tem máquina fotográfica, internet, rádio? ah, e o telefone também. É um aparelho que entrou para o rol da tecnologia que deveria nos beneficiar, mas tudo o que faz é nos escravizar.

Duvida disso?

Pois junto com os celulares, também surgiu uma nova doença, inicialmente identificada em 2008. O nome é nomofobia ? o medo de ficar sem contato via celular. Os sintomas: ansiedade quando não vemos nosso celular por perto, um coração disparado quando pensamos que perdemos o aparelho ou o hábito de carregar dois aparelhos (ou dois chips) para o caso de um deles falhar.

Não sei como anda a saúde dos brasileiros neste quesito, mas no Reino Unido, 66% da população profissionalmente ativa sofre de nomofobia, segundo a empresa SecurEnvoy. Os detalhes da pesquisa realizada no início deste ano com um grupo de mil profissionais são assustadores: 41% carregam dois ou mais aparelhos para o caso de um deles falhar, enquanto 49% fica irritado se alguém tenta olhar suas mensagens.

As mulheres são as que mais temem perder o celular ? 70% das entrevistadas. Entre os homens, o índice é de 61%. Levando em conta a faixa etária, 77% dos entrevistados entre 10 e 24 anos têm os sintomas da doença, enquanto na faixa entre 25 e 34 anos o número cai para 68%. O mais curioso é que o terceiro maior grupo de nomofóbicos está na faixa etária acima de 55 anos.

E tem mais: o medo de perder o celular é tão grande que algumas pessoas chegam a verificar se ele está à vista 34 vezes por dia.

Tudo isso parece muito louco, mas na verdade faz parte do momento em que vivemos. Momento em que temos cada vez menos privacidade ? já que qualquer pessoa que tenha o seu número pode ligar para você e raramente elas perguntam se você pode falar naquele momento. Aliás, esse é um hábito imprescindível: toda vez que ligar para alguém, especialmente no celular, pergunte se a pessoa pode falar naquele momento. Alguns serão sinceros e dirão que sim ou que não conforme a situação. Outros irão atender, mesmo dirigindo.

Eu tenho um celular destes que são praticamente um computador. Durante a semana, vivo colada nele, como uma perfeita nomofóbica, para tentar resolver coisas do trabalho. Mando e-mails, mensagens, etc. No trem, ouço música e até vejo um ou outro vídeo. E, quando vejo algo interessante, faço questão de fotografar.

Mas, depois que eu vi esta pesquisa, fiquei pensando: afinal, quem é o dono de quem?

Por enquanto, acho que o celular é o meu dono. Será que dá para virar o jogo?