Nordeste, o tempero do Brasil

Hoje, 8 de outubro, é o dia do Nordestino. A data foi instituída em 2009, em homenagem ao centenário do nascimento de Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré, poeta popular, compositor e cantor cearense. Além disso, trata-se também de uma homenagem ao célebre Catulo da Paixão Cearense, maranhense de São Luís e autor da famosa música “Luar do Sertão”.

Em homenagem a esse povo acolhedor, simples e feliz, estamos postando esse lindo texto, escrito por Itamar Cavalcanti, que nos desperta e nos faz sentir mais e mais orgulho de ser nordestino. Confira:

“Existe um lugar onde a brisa pode ser constante e agradável sem nunca mudar para tempestade, onde as águas do mar são quase sempre mornas e nunca frias demais. Ali por perto, tem sempre água de coco, umas frutinhas exóticas e coloridas, cítricas, cheias de sumo bom e docinho, que fazem o maior bem para a saúde. O mar geralmente azul, às vezes muda de cor, prum azul mais fraquinho, prum verde esmeralda brilhante ou pra uma cor que melhor combine com as espumas das ondas e as areias da praia.

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Tem barreiras, recifes, corais, falésias, dunas e tanta paisagem bonita que é preciso muitas férias para aproveitar tanta belezura! E para quem gosta de serras e lonjura do mar, tem mata verde cheirosa e abundante, vento mais forte e redemoinhos de levantar poeira em funil, sem ser tão bravo, nem destruidor de casas feito ciclones, parece até diversão, brincadeira para desmantelar o calor. Têm rios cheios de peixe, barragens imensas para fabricar energia, riachinhos que secam ligeiro, brejos com água minando. Tem garoa insistente, que parece que não vai parar, e frio bem abaixo de vinte graus, com neblinas e cerrações em terras altas com colinas a perder de vista.

Tem cidade de todo tipo: metrópole, média, pequena, minúsculas de uma rua só. Tem sotaque de todo jeito e maneira de se pensar em falar, seja arrastado, apressado, fanhoso, cheio de “R”, cheio de “S”, com muito “muintcho” e muito “vixe”, e palavrões tão criativos que acabam virando graça. Tem capital, rei e rainha de tudo que é coisa, do forró, do fumo, do agreste, do sertão, do artesanato, da arte figurativa, da zona da mata, da sanfona, do acarajé, dos dinossauros, das bicicletas, dos “isso”, dos “aquilo” e de não sei mais o quê. Tem cidade patrimônio da humanidade e de todos os patrimônios do por aí vai. Tem problema de todo tipo, de seca, de enchente, de cidade, de município, de água, de segurança, de saúde, de educação e de toda importância ou não. Mas no final tem solução para tudo que se quer, querendo ou não.

Recife,<em>Pernambuco</em>(2)<em>-</em>Brasil

É coisa demais para contar, é assunto para mais de enciclopédia, mas o principal e melhor é o que vem no final, que devia ser o começo de todo o assunto: o povo.

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Nesse lugar tem gente de todo tipo. É tanta etnia junta, misturando as pessoas em diversidades maravilhosas de cor, credo, feição, pensamento, gênero, jeito, vestir, andar, cozinhar e por aí vai. É muita gente boa, sempre de braços abertos, prontos para receber quem chega e desejar um “volte sempre” a quem por aqui passar. É povo aconchegante demais, feito as paisagens de paraíso distribuídas por todo lugar. É povo simples, cheio de orgulho de ser de lá. É povo cheio de orgulho de ser simples no ser e de ter tanta gente que apimenta, engrandece, valoriza, promove cultura, arte, conhecimento, elogia, escreve, enaltece, ajuda, educa e tempera esse nosso país. É gente da terra, do barro, do sol, do mar, da chuva, da seca. É gente que agita e que tem no coração a alma, o exemplo e o tempero de ser a raiz do povo brasileiro.”

Dia do nordestino

Sobre o autor do texto

Itamar Cavalcanti, nascido no interior de Pernambuco, atualmente morando em Campina Grande – PB. Autor do blogReflexsons, local cujo texto acima foi extraído.

itamar

Como ele se define:

“Escrevo para o mundo inteiro, para galáxias inteiras, para infinitos diversos, para aleatórios sem fim. De mim saem palavras que levam ideias, pensamentos, invenções, sonhos, desejos, bobagens, profundezas, simplicidades, aventuras, certezas, sins, nãos e intermináveis eteceteras. Tudo sem destino definido, se espalhando por aí, por entre bytes e leds incertos, mas terminando em você, que parou um instante e apenas clicou. E leu. E reagiu. E interagiu. Este sou eu, o autor que não consegue se mostrar em letras, o autor que escreve para qualquer um que não queira só ler, o autor que culpa as palavras por existirem por si próprias, o autor que se equilibra entre as linhas e tenta chegar ao seu mundo, sua galáxia e seu infinito, indo além do ponto final.”