O dom de acreditar

A esperança não é somente a última a morrer, prematuramente também, ela tende a nascer, sobrepondo pontos primordiais e, em oficio, factuais para a sobrevivência humana. Na política, a focar o âmbito eleitoreiro, que, sumariamente, é o contexto mais explorado desta arte fundamental, o verbo esperançar transita por vias contraditórias, movido, de forma exclusiva, pelo inexplicável poder de confiar na voz, no olhar, nas ações, até nas expressões de quem os promove ? por sinal, em momentos estratégicos, estes não fogem aos cálculos.
Agora pouco, fomos testemunhas ou interpretes de uma passagem importantíssima da política baiana, talvez por ocorrer num momento de tamanha carência e total abandono de um povo. Quem mora em Salvador, mesmo sem acompanhar os burburinhos e clichês políticos, pôde absorver, sem fazer força, o desastre administrativo a que fomos submetidos, muitos ainda teimam em nos colocar como principais responsáveis, simplesmente por não dotarmos de poderes adivinhos. Que absurdo? será que não bastam as incompensáveis opções que somos obrigados a engolir?!
Mas como nada atinge a eternidade, por sorte nossa, chegamos às eleições municipais. A capital pioneira ressurgiu, renasceu, se arriscou a fazer o trato do estimulo para as eleições; aproveitou-se de sua própria truculência para fazer de um jeito diferenciado, inesperado. Para alguns, foi a oportuna ocasião de tentar esquecer suas ideologias sobre um certo passado, já outros , por contracenarem, fizeram parte dele, assim, de uma forma quase que espontânea os soteropolitanos fizeram sua escolha, elegeram o prefeito mais jovem de sua história, penso que nem tanto pela sua carreira, outrossim, por uma característica fatal nessas oportunidades: o poder de convencimento.
ACM Neto ? permitindo-me o plágio a alguns profissionais da ciência política baiana ? foi criado em laboratório; se mostrou, em épocas de vida de seu mestre e avô, um grande aprendiz, assim, entre aulas práticas e teóricas, margeadas pelo privilégio, aprendeu a ser líder político, agora vem a prova administrativa. O candidato se mostrou humano, caminhou junto, se emparelhou às imagens pobres da periferia, impôs-se às classes aristocráticas, desmantelou seus opositores ? se é que o plural faz jus a explanação ? com uma espantosa serenidade, em meio aos milhões de olhos que o enxergavam. Os contrariados, de fato, reconheceram a derrota.
Agora, após os momentos celebres de euforia dos diretamente beneficiados e, claro, o carnaval nosso, nos cabe acreditar e torcer. A situação é digna disso. Não importaremos com as pequenas intervenções, por mais que os efêmeros teimem em agigantá-las, na proposta tem que haver iniciativa e capacidade, para daí pregarmos o respeito a quem ?ganhou? a eleição e o voto. Se quem vos fala pôde se alimentar dessas ideias, opto por acreditar que o homem que convenceu Salvador e pretende estender a Bahia, não se encarregue da própria decapitação.

Grande abraço!