O guarda-roupas da mamãe, que saudade!

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Quem de nós, adultas, não se lembra das incursões ao guarda-roupas da mamãe?

Eu adorava! Lembro-me, até do cheiro? Era um armário de quatro portas, de imbuia, só uma pertencia ao meu pai, as outras eram todas da dona Cidinha! E quando eu abria aquelas portas, pronto começava a viagem! Planos e mais planos para quando fosse uma mulher e pudesse usar tudo o que estava ali dentro!  Tesouros que ainda não me serviam, mas serviriam um dia! Algumas peças tornaram-se objetivos de vida: Por exemplo, o vestido vermelho que ela usou no baile de debutantes da minha irmã mais velha, as calças de veludo, a roupa do batizado da minha irmã caçula!!! Bege com renda! Tudo de lindo! Eu e a minha prima Ana Maria, abríamos aquelas portas e fazíamos uma loja. As clientes imaginárias levavam quase tudo pra casa!

Os sapatos foram uma paixão à parte! Era quase uma fixação, costumava dizer até que o meu pé 33 era um 33 grande e que os sapatos da mamãe, ficavam quase certos em mim! Mas, embora eu tivesse pressa, demorou pra que o primeiro par, ou a primeira peça servissem em mim!

Estou contando tudo isso, porque descobri que essa paixão é cíclica! Ontem era eu e hoje é minha filha Júlia! Tenho que confessar que o amor pelos meus sapatos, parece ter nascido com ela! Com as roupas um pouquinho mais tarde, quando a vi pela primeira vez, com as portas abertas e ?atendendo?, provavelmente, às mesmas clientes imaginárias da loja que eu tinha em sociedade com a minha prima!

Hoje, quase tudo que é meu é dela! Preciso ir ao guarda-roupas dela, procurar até pelas minhas roupas de ginástica! Às vezes fico brava! Mas aí recorro ao passado, lembro-me que também fui assim e que hoje critico as escolhas da minha mãe, não recorro ao armário dela, aliás, tento orientá-la sobre o que está na moda e o que está fora da moda! E sei que a Júlia, logo vai perder o interesse pelas minhas roupas e sapatos! Vai dizer: mamãe isso não combina, não fica bom? Depois virá a minha neta, que vai deixar a Jujú maluca de raiva quando ela não encontrar uma camiseta no closet, sim, porque guarda-roupas não vão nem mais existir! Ser mulher é bom, ser mãe e enxergar no ser que a gente mais ama no mundo, os nossos costumes é melhor ainda! Que esse círculo nunca deixe de existir!

Um ótimo fim de semana a todos!

Bj

Mari