O LADO FEIO DA MODA: VOCÊ JÁ PENSOU SOBRE TRABALHO ESCRAVO?

É muito comum as pessoas acharem que trabalhar com moda significa ir à muitas festas, conhecer gente bacana e circular por aí com roupas diferentes e fashionistas. Não é bem assim.

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O mercado têxtil movimenta milhões por ano, emprega um bocado de gente e tem chamado atenção do mundo pelo crescimento que mostra mesmo em meio à crises em outros setores da economia, o que muita gente ainda não sabe ou não percebeu é o que existe por trás de tanta roupa.

Muito se fala em “democratização” da moda, ou seja, poder levar peças com informação de moda (leia-se: De acordo com as tendências das grandes semanas de moda) a um número maior de pessoas, para que assim o mundo seja ainda mais globalizado, todos possam vestir de maneira “igual” e blá,blá,blá. Com esse movimento, surgiram os tão conhecidos sites de compra da China e o mundo se viu “livre” dos altos preços cobrados pelas marcas. Aquela boa e velha sensação de que existe alguma vantagem.

Mas essa não é a verdade. Pensem comigo: Para uma peça custar R$ 20,00 (média de um blazer tipo boyfriend colorido, no site da China) e disso ter saído o frete, a matéria prima, o lucro do fabricante… quanto você acha que sobra para pagar a mão-de-obra?

Nem precisamos ir muito longe, aqui em SP já foram feitas muitas denúncias desse tipo. Grandes nomes da moda nacional foram inclusive ameaçadas de terem suas confecções banidas do Estado caso não se enquadrassem na legislação trabalhista. Caso bem recente aconteceu essa semana com uma rede de fast-fashion, procure no google e veja… é mais comum do que se imagina!

Essas pessoas são tiradas de seus países com falsas promessas de um futuro melhor. E quando chegam aqui encontram uma realidade bem diferente: Jornadas de trabalho excessivas, locais de trabalho sem a menor condição de higiene, dívidas sem fim com seus “donos” e salários abaixo de qualquer coisa que se considere razoável para a sobrevivência de uma pessoa.

Logo nós, que somos conhecidos por nossa hospitalidade… mas é possível ajudar a mudar esse quadro. Saiba escolher bem as empresas a quem você dá seu dinheiro, começando pela roupa que veste! Quer mesmo uma roupa bacana e cara que foi produzida por uma pessoa que vive escrava da crueldade capitalista? Tenha consciência da sua contribuição para o sofrimento de uma vida. Senão, é simples: Procure outro lugar para comprar, e eu garanto que não faltam opções de marcas comprometidas com o meio-ambiente e que prezam pela sua mão-de-obra.

Pesquise, se informe. Saiba que moda é uma coisa muito legal e divertida, mas também deve ser usada com moderação.