O novo Papa no velho Brasil

Papa Francisco

Claramente trajado pelo uniforme político, o Papa nos tocou.  Sua enquete internacional pioneira, no corpo-a-corpo, deliberou boas respostas por todos, sem exceção. Desde o próprio carregamento de sua mala de mão, no embarque em Roma até o colar de flores colocado em seu pescoço, numa visita ao complexo de Manguinhos, no meio de uma favela carioca, despertaram impactos impressionantes sobre a personalidade do líder maior católico.

Vimos de tudo, nas melhores intenções que pode existir.  Seus atos frequentes, surpreendentes, supervalorizados, até pela imunidade carismática de seu antecessor Bento XI, nos fez até repensar às doutrinas contemporâneas da Igreja que compõe a parte maior e proeminente do Cristianismo.

Quem seguiu Francisco, durante a Jornada Mundial da Juventude, tropeçou em ateus, políticos caronistas, homossexuais, feministas, manifestantes reclamando de tudo ? menos do Papa -, evangélicos e, por fim, fiéis. Pois é, bem no fim mesmo, especulando a reação dos religiosamente ?indisciplinados?, que era a maioria, estavam os católicos brasileiros fiéis, aqueles que realmente vão à missa ? pelo menos aos domingos.

Partindo para lado político ? não despolitizando os relatos supracitados, é claro; um Papa jamais sai dos aposentos papais sem uma bela estratégia política, sempre estudada e desenhada sobre os moldes do povo anfitrião ? ele deu um show. Sem precisar ser óbvio, como foi a presidenta Dilma, tentando antecipar o potencial sermão do visitante ilustre, em seu discurso de boas vindas ao Palácio Guanabara, Sede de Governo do Estado do Rio de Janeiro, chefiado pelo equilibrista Sergio Cabral, o Papa Francisco enxergou a necessidade de não se tocar muito num assunto que não lhe compete, sondou matérias sociais de praxe, porém sem estender aos campos ferventes em nosso país, o que vem causando as grandes manifestações.

Alheio às suas naturais e humildes ações, onde agira como um ser humano, vi muita lucidez em Francisco, mesmo se aproximando tanto do povo. Sempre se mostrando humilde e se colocando em nível similar, ele cerimoniou com firmeza, em um momento turbulento para a Igreja, um evento grande, mundial, com os microfones e câmeras cobrando algo diferente do novo líder católico. Há muita pressão interna e externa em seu entorno. Não é fácil, amigos.

Desde modo me disperso, mas não omito os grandes e costumeiros equívocos de sempre, dos nossos reais (ou contos, sei lá?) representantes políticos, provocando exagerados transtornos ao cidadão, o perpétuo prejudicado.

Entre as manobras internas, feitas ?na tora?, para a vinda do Papa, houve inúmeros despropósitos sem qualquer necessidade. Representando os vários, vale citar três fatos: o desrespeito aos cidadãos, ao interditar por quase uma semana ininterrupta, boa parte da capital fluminense, impedindo que os moradores até saíssem de suas casas; a dissimulação do governo, quando intervencionou com melhorias, em duas semanas, a comunidade de Varginha, somente por ter que receber o sumo pontífice ? há tempos que tal comunidade vivia sofrendo, às moscas, sem qualquer lembrança; e os 118 milhões depositados por nós, para custear um evento que não mudara em nada a nossa vida.  Destes milhões, quase um foi para aquela mesma solenidade de boas-vindas no Palácio Guanabara, para seletos 650 convidados, onde Francisco permaneceu por pouco mais de uma hora. Volta às ruas, Brasil!