O Rio feminino

Depois de ver o Carnaval passar, com seus blocos, escolas de samba, bailes e muitas mulheres na mídia, o mês de março dá as suas caras, com seu jeitão de início de ano. Mais do que isso, é o Mês da Mulher, que teve seu dia comemorado em 08/03, e em homenagem a elas decidimos buscar na programação cultural do Rio de Janeiro o que há de feminino acontecendo! Há quem diga que a própria cidade do Rio é bem feminina, com suas curvas e relevos, seu charme, além da beleza e magia atribuídas à chamada mulher carioca.

Cinema: as novas configurações de relacionamento

Pois bem, nessa primeira lista começamos pelo cinema. O filme ?Ela? (She), que acaba de ganhar Oscar de melhor roteiro original (Spike Jonze), mostra a relação de um homem com um sistema de computador. O protagonista Theodore (Joaquin Phoenix) leva uma vida solitária, que se resume ao trabalho de escrever cartas e bilhetes, até que compra um sistema operacional, com um perfil feminino para interagir com ele: Samantha. ?Interpretada? por Scarlett Johansson, Samantha, com suas muitas variações de voz, sedutora, doce, estridente, acaba conquistando Theodore, e os dois se apaixonam, um pelo outro! Uma ideia premiada que nos mostra as novas configurações do amor de maneira geral, no mundo em que vivemos. Ótima pedida!

A paixão entre homem e máquina no filme "Ela"A paixão entre homem e máquina no filme ?Ela?

* Exposição: o amor vivido de várias formas*

Como falar de mulher é falar de sentimento e amor, uma pedida é a exposição ?Amor, amor, amor?, primeira exposição do ano do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Centro do Rio. O trabalho traz 61 imagens de 23 fotógrafos nacionais e estrangeiros, com muitos registros de situações sobre ao tema que se repete no título, em uma parceria com a Maison Européenne de la Photographie (MEP) e curadoria de Jean-Luc Monterosso e Milton Guran.

A exposição reúne fotografias falando do amor sob várias formas, e protagonizadas por casais de namorados de várias idades, crianças, noivos, cachorros? A empreitada reúne nomes de grife da fotografia, do francês Henri Cartier Bresson a outros menos conhecidos, e conta com um único representante brasileiro, o carioca Rogério Reis. Com 90% das cópias analógicas, a exposição traz um clima vintage, para quem curte a imagem dita ?pura?.

*Teatro: desejos, repressão e preconceito *

Podemos pensar também naqueles homens que se vestem de mulher, e não apenas durante o recém terminado Carnaval!! É esse o tema apresentado na peça ?A porta da frente?, de Julia Spadaccini, que acaba de receber o Prêmio Shell de Teatro pela autoria do texto, e cada vez mais se firma como uma das mais expressivas autoras do cenário teatral carioca. A peça está em cartaz até o fim do mês de março na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema. Em um ambiente de classe média, um marido, sua mulher, um casal de filhos adolescentes e uma avó têm suas vidas transformadas com chegada de um vizinho que se veste de mulher.

O ?Crossdresser? é vivido por Jorge Caetano (que também assina a direção ao lado de Marco André Nunes) que afirma: ?Ele não é gay, e tem uma namorada virtual?. Falando sobre repressão, desejos e preconceitos, a peça vem acumulando indicações e prêmios e é uma boa opção, sem dúvida!

A peça "A Porta da Frente" fala de preconceito A peça ?A Porta da Frente? fala de preconceito

E se elas fossem para Moscou?

Bastante mergulhado no universo feminino, está estreando no Espaço Sesc, em Copacabana, a montagem de ?E se elas fossem para Moscou??, que é ao mesmo tempo teatro e cinema! Baseada no texto clássico russo ?As três irmãs?, de Tchekhov, a autora e diretora Christiane Jatahy repensa as fronteiras entre o cinema e o teatro. O trabalho resulta em uma peça e um filme feito ao vivo, a partir do espetáculo, apresentados simultaneamente em dois ambientes do Espaço SESC: a peça no mezanino e o filme na sala multiuso.

A peça narra a história de Olga, Irina, Maria, três irmãs que moram no interior da Rússia e alimentam o sonho de voltar a Moscou, cenário feliz de suas infâncias. O texto escrito em 1900 é transportado para os dias de hoje, e as atrizes (Isabel Teixeira, Julia Bernat e Stella Rabello) dividem com a plateia suas angústias, medos e desejos. Vale a pena conferir!

O Mês da Mulher está mesmo de vento em popa!