O sabor da tradição

A visita à Alemanha foi rápida, com chegada em Munich, onde fiquei por apenas um dia já que o objetivo da visita era o de encontrar Susanne Hecht, a Sommelier de Cervejas responsável pela exportações da cervejaria Schneider, e Hans Peter Drexler, o mestre cervejeiro, para um tour acompanhado de bom papo e boas cervejas. A Schneider é uma cervejaria que teve grande importância na história cervejeira da Alemanha e até hoje ainda é vanguardista.

Tive a honra de ter participado da mesa que julgou e premiou a TAP 7 Unser Original com a medalha de prata no World Beer Cup 2012, cerveja esta presente sempre que possível nas cartas que elaboro. O número de medalhas recebidas pela cervejaria em diversos campeonatos não dá para listar aqui.

A cervejaria Schneider fica localizada no vilarejo de Kelheim, cerca de uma hora e meia de carro da cidade de Munich. O visual da estrada estava lindo, com todas aquelas folhas multicoloridas típicas do outono europeu, pena que as plantações de lúpulo à beira da estrada nesta época do ano já sofreram sua poda, mas volto lá para ver e sentir os aromas dos lúpulos do campo de perto!

Desde o século XVI, as cervejas de trigo já eram populares na região da Bavária, sendo consideradas como especialidades locais, porém a família real da Bavária produziu com exclusividade as cervejas tipo Weiss por quase 300 anos.

No ano de 1872 George Schneider negociou os direitos de produzir as cervejas de trigo, e lá se foram 6 gerações apenas produzindo cervejas de trigo. Hoje quem dirige a cervejaria é George Schneider VI!!! Tradição mas não sem inventividade! São nove rótulos, ou seja, nove fórmulas de cervejas de trigo, que variam em coloração, formulação e métodos de produção.

Além das cervejas tradicionais, a Schneider tem lançado a cada ano edições especiais de suas cervejas, chamadas de ?TAP X?.  A primeira foi a ?Schneider Weisse Nelson Sauvin ? TAP X?, lançada em setembro de 2011. O nome da cerveja vem da variedade de lúpulos utilizados na composição da cerveja que existe apenas em uma determinada região da Nova Zelândia. Sua base é a de uma cerveja doppelbock e a segunda fermentação ocorre na garrafa, mas as leveduras são de origem belga!!!

E quem disse que Lei de Pureza proíbe alguém de ter criatividade? A ideia inicial era atender a demanda externa por cervejas diferenciadas e deixar uma pequena reserva para o mercado interno alemão, considerado mais tradicional. Mais a grande surpresa foi que o produto se foi rapidamente das prateleiras e o mercado alemão clama por mais!

Ouvi do Mestre Hans-Peter que o mercado alemão também está sofrendo transformações nos últimos anos, que os alemães estão mais abertos a provarem cervejas diferenciadas. Adorei ouvir isso!

Este ano de 2012 foi a vez da ?Mein Aventinus Barrique ? TAP X?, feita numa parceria com a Brasserie dês Franches que utiliza também como base um doppelbock, mas desta vez maturada em barris de uvas Pinot Noir, o que a leva à categoria de Wood Aged Beer (cervejas que maturam em barris). E a segunda surpresa do ano foi esta mesma cerveja ter passado pelo processo de congelamento, se tornando mais concentrada em todos os sentidos, inclusive no alcoólico, elevando sua graduação de 8,2% para  9,5%, passando a se chamar ?Cuvée Mein Aventinua Barrique? ? TAP X.

Cheers!!!

Schneider Weisse Nelson Sauvin ? TAP X

Cerveja de trigo de coloração dourada intensa e turva. Os aromas lembram a fragrância primaveril, de grama cortada e flores do campo, além de frutas como a uva, groselha e kiwi. Os intensos aromas frutados se equilibram perfeitamente com o aroma adocicado dos maltes. O contraste dos toques frutados combina com uma leve picância e amargor deixados no fim de boca.

Vai bem com picles, presunto de parma, frutas e queijos cremosos.