O samba de Maria Rita agradou

Maria Rita

Na plateia, grandes cantoras da região, como Giana Cervi e Alessandrah. No palco, ainda ninguém: às 20h30 o show de Maria Rita ainda não havia começado, o que aconteceria às oito e quarenta da noite, um atraso que não arrefeceu os ânimos de quem aguardava pela filha de Elis. Certamente teria sido mais agradável ter as duas cantoras abrindo a noite para a estrela da nova MPB, como aconteceu quando Zélia Duncan se apresentou naquele mesmo palco do Centreventos, em 2008, sendo antecedida brilhantemente por Bárbara Damásio, Giana Cervi e Keyla Araújo.

Maria Rita abriu o show com É Corpo, É Alma, É Religião, de seu recém-lançado álbum Coração a Batucar, antecipando que a noite seria de samba, que tem sido seu mantra desde 2007, quando lançou Samba Meu, aquele de Tá Perdoado. E assim foi: a segunda canção, Cara Valente, se deu a alguns a impressão de que ela revisitaria os hits que a tornaram conhecida com o disco de estreia, de 2003, como A Festa ou Pagú, logo seria emendada com mais sambas. E justamente quando, com humildade cativante Maria Rita começava a apresentar sua inspirada banda, o som entrou em pane e nada se ouvia de seu microfone. Além de a falha não ter sido corrigida naquele momento, sem prejuízo das músicas, ainda persistiu pelo número seguinte, no single que abriu a divulgação de Coração a Batucar, Rumo ao Infinito. Aí a plateia se impacientou, com razão.

Claro que a lembrança de Elis se faz presente, como na apresentação de Ladeira da Preguiça, canção de Gilberto Gil imortalizada por ela e em Mainha me Ensinou, que Maria Rita interpreta com perceptível emoção, soltando a voz que raspa as reminiscências da maior cantora brasileira, trazendo junto a semelhança entre os timbres das duas, embora Elis tivesse um registro cristalino, que mesmo o DNA que favoreceu a filha de Elis e César Camargo Mariano não permite igualar.

Maria Rita sambou, tomou conta e fez uma noite digna de abrir um Festival de Música de Itajaí que já chega à sua décima sétima edição. Resta aos organizadores ficarem mais atentos aos detalhes, de forma que falhas e erros como os verificados no último sábado não se repitam.