O tempo passou, que bom!

Há pouco mais de 18 anos minha família vivia a euforia do primeiro casamento e logo do primeiro neto(Guilherme).  Que bom que naquela época eu não tinha noção do tamanho da responsabilidade que estava assumindo, casada, grávida aos 20 anos e no terceiro ano da faculdade. E como não se pode ganhar todas, administrei o fim do curso de jornalismo, o bebê e faltou maturidade para a função de esposa.

Mas a minha aventura humana na terra estava só começando e aos 25 anos eu estava pela terceira vez num hospital para ter meu terceiro filho e garantir cirurgicamente que gravidez nunca mais. Quando voltei pra casa com o Gabriel, pensei: ??Tudo bem a gente vai conseguir. Cá pra nós, não teve um dia fácil de lá pra cá. Creches, babás malucas, viroses, vacinas, madrugadas em hospitais, despertador para os antibióticos, saídas durante a madrugada porque a fralda ou o leite acabaram. Sem falar que a minha carreira não foi interrompida nem uma vez e que desde de 1996 moro longe dos meus pais.

Tive ajuda sim, anjos disfarçados de amigos, chefes, meus pais, tios e irmãos que me socorreram inúmeras vezes e que eu não poderia chamar pelos nomes, pois estaria cometendo injustiças certamente.

Mas entre todos sou muito grata a alguém em especial: Meu filho mais velho. O Guilherme é o meu grande parceiro, uma das melhores e mais corretas pessoas que eu conheço. Fala pouco, mas está sempre por perto e apesar de virginiano me abraça e me beija, sempre que eu preciso . Nunca teve ciúmes dos irmãos, me ajudou o tempo todo e agora cresceu! Está prestes a sair de casa, prestando vestibular, pronto pra construir a vida dele.

Enquanto ele prestava o ENEM nesse fim de semana, comecei a pensar sobre o tempo. Olhei as fotos dele e vi a mudança física, olhei pra nossa cachorra que chegou na família quando ele ainda tinha 7 anos e vi a velhice estampadinha na bichinha. Claro olhei pra mim também e pude ver mudanças na aparência e no que diz respeito ao amadurecimento emocional, na soma final: Somos sobreviventes e construímos uma família unida e cheia de histórias pra contar. Me lembrei de uma frase que o meu chefe falou faz poucos dias: ??Você e seus filhos se criaram juntos.?

O momento é muito particular pra mim,  não tenho medo da despedida, pois sei que o Gui vai estar sempre por perto, mas hoje eu a Júlia e o Gabriel temos muito a agradecer a ele. E pra quem pensa que eu me arrependo de aos 38 anos olhar pra trás e ver que meus únicos patrimônios são os três. Tenha certeza eu não me arrependo.

Bj Mari