Pato Fu chegou aos 44 do segundo tempo com um golaço

Já perto do apito final em 2014, o Pato Fu lançou um dos discos mais interessantes do ano.

Não Pare Pra Pensar - Pato FuNão Pare Pra Pensar – Pato Fu

Nos primeiros álbuns, o Pato Fu reunia algumas extravagâncias musicais que caracterizavam a banda. Elas estão ausentes neste novo Não Pare Pra Pensar.

Na verdade, apenas aparecem de relance na última faixa, Eu Ando Tendo Sorte, que menciona até um incêndio evitado a tempo no estúdio caseiro de John e Fernanda. Em compensação, o rock, que há tempos não era predominante, surgiu com força total no álbum, lançado no mesmo ano em que Na Medida do Impossível trabalho solo de Fernanda Takai. Impossível não pensar que os toques pop ficam para ela, enquanto a carga mais roqueira é concentrada na banda.

O que é ótimo: John canta em duas faixas, ótimas, You Have to Outgrow Rock n Roll e Ninguém Mexe com o Diabo. Ritchie participa de Pra Qualquer Bicho, cujos acordes iniciais fazem lembrar The Passenger, de Iggy Pop. Há como lembrar de Strokes, também, mas isso não é ruim. Ao contrário, mostra que o Pato Fu voltou a apostar no rock, e o cenário brasileiro precisa mesmo de um impulso neste sentido. Quando se aproxima o final da releitura de Mesmo Que Seja Eu, em que as guitarras mostram a que vieram, é impossível não se lembrar do momento em que Erasmo a lançou, revigorado pelo BRock que surgia.

O Pato Fu volta a encontrar seus bons momentos em que a postura mais roqueira de John Ulhoa encontra o contraponto na tessitura suave, quase uma seda, da voz de Fernanda. É, realmente, o mais dançante dos álbuns do Pato Fu.

Mas não se engane. Não quer dizer que seja disco, nem eletrônico. É simplesmente empolgante.