PIOLHENTA

Na minha infância eu pegava muito mais piolho do que gripe ou resfriado! Parecia uma maldição! E vocês não imaginam o que eu tinha de cabelo, para piorar o quadro!

Virava e mexia, lá estava eu coçando a cabeça, feito uma doida e o ritual de limpeza recomeçava. No mínimo duas passadas de pente-fino por dia e horas deitada no colo da minha mãe que não era adepta do vinagre com lenço branco. A limpeza era feita na unha, lêndea por lêndea, piolho por piolho!

Dizem os mais velhos que não se deve contar o número de piolhos que são retirados, porque eles se multiplicam mais depressa, minha simplesmente não se continha!

A cada passada do pente fino, ela gritava: Olha filha, tirei dois ?bois?.

E depois passava o relatório para a minha tia Zélia: ??Zélia do céu, a Marilucy está perdida de piolho, só agora, tirei 12 ?bois? da cabeça dela, tive que jogar a fralda fora! Agora vou caçar as lêndeas.?.

Começava então a caçada? Só ouvia o barulho entre as unhas dos polegares dela e claro, comentários do tipo: ??Olha filha, elas estão vivinhas?.

Pior que isso, só quando a professora passava a revista, encontrava os bichinhos e mandava bilhetinho para os pais! #vergonhaalheia total!

Estou falando de tudo isso e você já deve estar com coceira na cabeça, só de ler o texto, porque estava eu numa farmácia, na fila do caixa quando reparei num pente fino ultramoderno? Formato e tamanhos diferentes? Automaticamente me lembrei dos dias complicados de piolhenta!

Como de todo mau Deus tira uma bem, me lembrei que de algumas coisas na nossa vida, só mães podem nos salvar.

Quem mais passaria horas tirando piolho e lêndeas de uma criança que tentava fugir o tempo todo, quando não reclamava e chorava ao mesmo tempo?

Mãe foi difícil, mas seu colo é uma delícia!