Planeta Bola

Hoje vamos falar um pouco sobre futebol, mais precisamente sobre meu trabalho junto a equipe do Fluminense Football Club. Fui ?convocado? no começo do ano de 2011, projeto novo de uma assessoria de imprensa do Rio, na qual eu tinha trabalhado fazendo a campanha de reeleição do Governador do Rio de Janeiro. Imediatamente eu aceitei o desafio, novo para a assessoria e principalmente para mim, pois de futebol eu sempre fui muito perna de pau. Diria que há três anos eu não saberia definir o que é linha de impedimento, mas graças a uma breve passagem no diário Lance! como coordenador de fotografia, pude ampliar um pouco, é fato, os meus conhecimentos técnicos na área.

Mas como fotógrafo eu sempre curti trabalhar em jogos, não foi nunca meu objetivo dentro da profissão, sempre tive outras áreas dentro da fotografia que me puxavam mais, porém o destino me trouxe para um clube em um novo projeto, novo para mim e para a equipe toda do futebol tricolor.

O desafio era monumental, o clube além de não ter fotógrafo em seu quadro de profissionais, não possuía sequer um banco de imagens atualizado onde se pudesse contar a história do clube recentemente. E claro que colocar um profissional de imagem no dia a dia de uma equipe, requer um trabalho de formiga, como em todo lugar do mundo, quando somos inseridos em uma equipe de trabalho que está junta há muito tempo, temos que chegar com cuidado e bem devagar, para não levantar muita poeira.

Mas em se tratando de uma equipe de futebol esse cuidado tem que ser super redobrado. Não foram poucas as desconfianças sobre meu trabalho, por vezes eu sequer conseguia chegar às portas do vestiário, sendo barrado veementemente, por todos, do segurança ao roupeiro. Mas eu entendia esse ?medo? do novo, sabia que não iria ser fácil, e me acumulei de toda a minha paciência, a que tinha, e procurei também pegar alguma emprestada, que me foi útil ao longo desses dois anos.

Claro que as dificuldades foram diminuindo na medida em que eu mostrava o real motivo de eu estar ali, isso é claro com a criação de algumas mídias sociais que não eram utilizadas, como Facebook, Twitter e Flickr. Meu trabalho foi ganhando a visibilidade programada, não só no futebol, como em todas as áreas do clube.

Fui ?incorporado? na equipe de fato no fim de 2011, onde eu fiz uma primeira viagem de jogo, indo a Florianópolis para a partida contra o Figueirense. Isto era em novembro, no dia 20, portanto já faz quase um ano dessa primeira viagem e não me esqueço, pelo fato de ter sido a mais tensa que fiz até hoje.

Pode até parecer estranho para quem não conhece o mundo supersticioso que ronda o futebol. Um mundo maniqueísta em que o bom é o pé quente, e o ruim é o pé frio, azarado, aquele que não merece mais viajar com o grupo, porque deu o azar de logo na sua viagem inaugural o time sofrer uma derrota, nossa esse está no limbo!

Pois bem, uniforme na mala, equipamento pronto, entro no ônibus que transporta o grupo até o aeroporto, e logo na entrada eu sem querer (e foi sem querer mesmo) coloco minha mochila no banco destinado ao treinador, apenas para apoiar o peso, pois carregava muita coisa, mas aí escuto uma voz do meio do ônibus: ?Ô fotógrafo, já começou mal, esse banco aí é do treinador, já vi que é pé frio?. Claro que isso é um balde de água fria em qualquer um, não que eu seja supersticioso, não sou nem um pouco, mas quando você está tentando conquistar uma equipe para ter mais facilidade de trabalho, ser considerado um ?pé frio? é no mínimo frustrante. Hoje quem falou isso se tornou um amigo ali dentro, mas é ruim ir para uma primeira viagem com esse ?peso?.

Por conta dessa frase eu fiquei achando que todos me viam como pé frio, na verdade até eu me achava depois, olha como uma frase levanta ou derruba alguém, mas toquei a viagem com toda seriedade que me norteia, poucos falavam comigo, principalmente da diretoria do futebol. Fiquei tenso, era por si um jogo tenso e decisivo para a equipe, acho que entrei no estádio mais nervoso do que os jogadores, pois dependendo do resultado, o peso daquela frase de boas vindas ia ficar pior.

Mas graças aos deuses do futebol o Fluminense ganhou de quatro do Figueirense, no final foi minha apoteose, ao ponto de um diretor me cumprimentar com a seguinte frase: ?Parabéns Nelsão, você é pé quente mesmo, hein, no primeiro jogo ganhar de goleada?. Enfim, isso é o futebol, gostando ou não, entendendo ou não é um mundo próprio.

O caminho de ter um fotógrafo na equipe, a meu ver não tem retrocesso, é natural que mais times pelo Brasil se profissionalizem neste sentido também, a exemplo de clubes de fora. Aqui o Fluminense foi o último do Rio a ter, no país quase todos os grandes também possuem.

Torcedores sempre foram ávidos por informações e imagens do seu clube, e essa informação como um todo que o clube disponibiliza para o torcedor, nada mais é do que seu repeito e agradecimento a toda paixão que move esse planeta bola!