POR ONDE ANDARÁ O MEU VESTIDO DE NOIVA?

Uma chamada na televisão me deixou com essa dúvida. O Fantástico vai falar de mulheres da mesma família que usaram o mesmo vestido de noiva por gerações e gerações!

Confesso, bateu um desespero? Explico!

Quase 20 anos depois do meu casamento não deve existir nenhum centímetro daquele tecido champanhe, era assim que as costureiras falavam na época!

Meu casamento parecia uma posse depois de renúncia. Foi tudo em caráter de urgência e emergência. Tudo intuitivo e a toque de caixa. Cada um tinha uma função, cada dia uma missão. Tudo por que?

Porque eu estava grávida de quase 8 meses! Logo, o vestido foi aquele que serviu, ou melhor aquele que coube o meu corpo arredondado ao carregar o Guilherme e alugado, claro! O cardápio da festa? Ficamos com a primeira oferta. A lua de mel? Tá já sei, os médicos advertem: ?Mulheres grávidas, a partir do & mês não devem realizar viagens de longa distância!? Seguimos a recomendação!

Mas deu tudo certo. A cerimônia, a festa e o vestido!

Vestido que não pertenceu a minha mãe, não vai pertencer a minha filha Júlia, nem a minha neta! O curioso é que quando me casei não me preocupei com o vestido? Mas hoje me senti culpada por não poder oferecer uma tradição para as próximas gerações!

Sem ter outra opção vou tentar transformar essa culpa em gargalhada. Vou me lembrar que cada um tem a sua tradição e as suas próprias escolhas.

Vou me lembrar que minha herança é de um casamento desfeito em 2 anos e que poucas noivas carregariam isso com orgulho. Vou pensar que não sei se a minha filha vai querer se casar dentro da tradição católica e vestida na cor champanhe, vou pensar que talvez, Deus não me dê netas? Vou pensar que eu mesma mudaria tudo se eu pudesse! Passaria do champanhe para um cor de gelo e o modelo seria completamente outro! Pra encerrar vou pensar, que a Júlia vai sonhar o sonho dela e que Deus sabe o que faz!

Onde quer que ele (meu vestido de noiva) esteja, hoje senti saudades!